Loving Him Is Red

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Loving Him Is Red

Capítulo 1


Cheguei em casa correndo naquele dia, joguei minha mochila no sofá e pretendia correr até a sacada do meu quarto mas ouvi minha mãe gritar:

- – parei na hora de correr, escondi o bilhetinho no meu bolso e girei sobre os calcanhares encontrando-a me encarando com a mochila na mão – sofá não é lugar de jogar a mochila e você sabe disso – ela deu um leve sorriso e eu andei devagar até ela pegando a mochila enquanto ela abaixava pra ficar da minha altura – meu abraço – sorriu e eu pulei no pescoço dela apertando-a – hm – gemeu fingindo que eu tinha força suficiente para esmaga-la – que abraço gostoso – riu e me afastou delicadamente – como foi a aula hoje?

-Tudo bem – sorri abertamente.

-Depois vamos fazer os exercícios de casa – explicou e eu suspirei – e sem essa cara feia, eu vou te ajudar – ela sorriu de leve e se levantou – estou terminando o almoço, vá tomar um banho e tirar esse uniforme que está deplorável, andam te usando pra limpar a escola?

-Colocamos areia no escorrega pra ele ficar mais escorregadio – respondi rindo e encarando minha blusa de uniforme que costumava ser branca, olhei pra ela que me reprovava com o olhar mas ao mesmo tempo tinha um sorriso no canto dos lábios, voltei a marchar em direção ao meu quarto, pendurei a mochila no lugar correto e quando ia tirar minha roupa lembrei do bilhetinho em meu bolso, voltei a ficar desesperadamente empolgada e corri para a sacada – – gritei mas ele não apareceu – – tentei de novo e ouvi o barulho da porta abrindo e ele saiu com cara de sono e o cabelo bagunçado.

era meu melhor amigo desde que eu tinha seis anos, ele se mudou para o apartamento do meu lado e sempre brigava comigo por fazer barulho na sacada do meu quarto que ficava exatamente ao lado da sacada dele, até que um dia nós estávamos brincando e começamos a conversar e eu vi que ele era legal quando me emprestou o Max Steel dele pra ser namorado da minha Barbie, assim a gente começou a se falar sempre, marcávamos horas pra brincar juntos, até que nossas mães fizeram amizades e então nós não tínhamos mais uma grade pra nos atrapalhar, todas as tardes ou eu ia pra casa dele ou ele vinha para a minha, brincávamos demais durante todo o dia, minha mãe sempre diz que temos uma criatividade sem limites já que sempre colocamos a casa de pernas para o ar enquanto descobrimos a América ou estamos sendo soldados em uma guerra.

-Para de gritar, – ele esfregou os olhos com aqueles dedinhos magros. Mesmo sendo relativamente mais velho que eu, ele era mais baixo e magro, o que fazia de mim sua única amiga já que os outros meninos insistiam em implicar com ele.

-Te acordei? – perguntei inocentemente me aproximando da grade da sacada, ele fez o mesmo se debruçando na grade dele.

-O que você acha? – ele passou mais uma vez os dedinhos pelos olhos limpando-os enquanto bocejava o que me fez bocejar também, rimos de leve juntos.

-Preciso te contar uma coisa incrível – coloquei a mão no bolso e senti o papelzinho dentro dele, sorri sozinha e ele me encarou duvidoso – O Tyler me pediu em namoro – dei pulinhos e entreguei o papel pra ele, o Tyler havia deixado no meu estojo perguntando se eu aceitaria ser namorada dele, Tyler Collins, simplesmente o menino mais lindo de todo o universo, olhos azuis como o céu, cabelo castanho claro e cacheado, ele parecia um anjo, todas as meninas da minha classe se matariam por ele, até as mais velhas, diziam que ele namorava uma menina da sexta série o que é um troféu e tanto para um menino da quarta série – isso não é incrível? – juntei minhas mãos na altura dos ombros e dei um pulinho desajeitado esperando sorrir, ele sempre sorria com as minhas alegrias e por isso eu o considerava meu melhor amigo.

-Com certeza – ele me devolveu o papel, mas estava sério – isso é incrível pra você virar um deles.

-Como assim? – eu não entendi, guardei o papel no meu bolso já que pretendia tê-lo comigo pra sempre.

-Você não vai ser mais minha amiga – ele curvou a boca pra baixo e estreitou os olhos ao me encarar – você vai andar só com eles e eu vou ficar sozinho porque ninguém naquela escola gosta de mim.

-Claro que não, – tentei sorrir, eu nunca o deixaria – você é meu melhor amigo.

-E se o Tyler te mandar escolher? – prendi minhas respiração por alguns segundos, sabia que isso era possível, o Tyler era um dos que mais implicavam com o , mas mesmo assim eu o amava porque, bem, porque ele era o Tyler Collins – disso que eu to falando – se apressou em concluir e saiu em passos rápidos pra dentro do seu quarto e eu nunca vou saber se ele estava mesmo chorando, não entendi muito bem e voltei para dentro da minha casa também ainda pensando no que havia acontecido.

Essa foi a primeira e única vez que eu e brigamos, ficamos alguns dias sem nos ver, na verdade, ele não queria me ver, na escola fugia de mim e quando eu o chamava pra brincar ele simplesmente não respondia, mas logo depois ele voltou ao normal e recomeçamos a nossa amizade, não aceitei o pedido de namoro do Tyler para provar ao que ele era meu melhor amigo, tínhamos apenas dez anos de idade e alimentávamos essa amizade como adultos, sempre estávamos junto um do outro, ajudando e incentivando em tudo, como na vez em que eu teimei em fazer balé, eu tinha treze anos e todos sabiam que eu parecia um cavalo no palco, mas ele foi comigo a todas as aulas e a todas as apresentações, e foi o único que me acalmou quando eu aceitei o fato de que era um fracasso na dança.

E hoje, hoje eu estou aqui, no auge dos meus quinze anos me olhando no espelho e me preparando para a minha primeira festa sozinha, não sozinha, tirou a carteira de motorista ontem e ele vai me levar, na verdade, meus pais confiam demais nele, então deixaram que ele me levasse, é o aniversário da minha melhor amiga, eu, e somos como irmãos, me lembro quando ela entrou na escola e eu logo me identifiquei, começamos a conversar e hoje vivemos grudadas, é alguns meses mais velha que eu e hoje está completando dezesseis anos, ela é do tipo louca e escandalosa, imagino como essa festa não vai estar absurdamente empolgada e impecável.

Passei a mão pelo vestido mais uma vez e me encarei no espelho, estava com uma maquiagem bem básica já que minha mãe não me deixava usar nada muito escuro, um vestido roxo de seda meio cintilante, era simples mas ao mesmo tempo sofisticado, resolvi fazer cachos nas pontas do meu cabelo e jogar bastante a franja lateral para trás, coloquei um salto não muito alto, outra restrição da minha mãe, e poucos acessórios, me olhei pela milésima vez e ri satisfeita, eu estava linda, me sentia linda, e sentia que algo estava preparado pra mim naquela festa.

-Vamos? – perguntei entrando na sala e todos me olharam, o primeiro a soltar um gritinho de espanto foi , que estava impecável e perfeito, vestia uma camisa social com um colete despojado por cima apenas para incrementar, um jeans de lavagem escura e um sapatênis claro com detalhes em cinza e verde musgo.

-Claro – ele sorriu feito bobo e eu amava o sorriso dele, isso era injusto, tudo era mais fácil aos dez anos quando ele era mais baixo e magro que eu, agora mesmo com apenas dezesseis anos ele já tinha um corpo que até o próprio Tyler invejava e que todas as meninas da escola desejavam, seu cabelo estava meio bagunçado e parecia molhado provavelmente pelo gel que o mantinha de pé.

-Avisando de novo para não ter problema – sorri pra minha mãe de leve – vou dormir na casa da , ok? Ela convidou um grupo restrito de amigos para uma after party.

-Isso não é uma boa ideia – minha mãe respondeu.

-To brincando, mãe, só eu vou ficar lá – ri do desespero dela e arrumei meu vestido de novo por nervosismo – agora vamos, , estamos atrasados.

-Sim Senhora – ele debochou e foi até a minha mãe se despedindo dela que recomendou que ele dirigisse com cuidado – carga preciosa – ele sorriu pra mim mostrando que tomaria o máximo de cuidado possível e eu quase desmanchei.

Minha mãe sorriu abertamente pra mim e eu só revirei os olhos, ela vive dizendo que nós temos que nos casar, não entende que somos só amigos, melhores amigos, e isso seria impossível, ele sabe das minhas paixonites e eu sei todas as dele, o que não muda o fato de que ultimamente eu tenho sentido uma pontada de ciúmes todas as vezes que ele fala da , uma garota que está no segundo ano e é uma líder de torcida dessas que se preocupam demais com a unha e com o cabelo e esquecem que tem que ir para a escola aprender algo, bufei.

-Aconteceu alguma coisa? – ele engatou a primeira marcha e eu nem tinha me dado conta de que já estávamos no carro.

-Não – menti mesmo sabendo que ele sabe quando eu minto, mas pareceu ignorar isso já que não insistiu, um silencio tomou conta do carro e pra mim estava torturante, então me obriguei a perguntar – a vai? – gelei ao ouvir essas palavras saírem da minha boca, tentei parecer normal mas o desespero da resposta tomava conta de mim.

-Não – ele disse sem tirar os olhos da estrada e eu me atrevi a olha-lo uma única vez e, Deus, como ele estava lindo, uma ruga se formava de leve pertos dos olhos mostrando que ele estava concentrado demais no que fazia, as vezes batia o dedo polegar no volante e respirava fundo ao passar a marcha – ela não é minha namorada, é só, uma garota – completou por fim me olhando rapidamente e riu de leve vendo que eu o encarava, senti meu rosto corar e me reprimi por isso, não posso corar na frente dele, não mesmo – está mesmo tudo bem? – ele perguntou olhando para frente de novo.

-Já falei que sim – disse em tom leve tentando descontrair e também voltei meu olhar para frente tentando acalmar meu coração que a essa altura parecia uma escola de samba, não me surpreenderia se ele conseguisse ouvir meus batimentos.

-Sabe que o Tyler vai estar lá, não é?

-Sei – suspirei, não podia deixar de convida-lo já que ela queria uma festa com os populares, mas, droga, logo ele – não me importo.

-Jura? – pareceu surpreso, minha historia com o Tyler se estendera por todos esses anos mas não passava de orgulho ferido dele, cresceu e ficou um completo idiota agora além de brincar com todas as meninas bestas que caem aos pés dele, ele me vê como um desafio já que não esquece como eu parti o coração dele há anos atrás.

-Juro – reafirmei enquanto ele estacionava no enorme quintal da casa da – eu só quero uma coisa, – disse séria, ele desligou o carro e me olhou – quero me divertir, de verdade, quero dançar mesmo sabendo que tenho dois pés esquerdos, quero esquecer do Tyler e de mais quem quiser estragar minha felicidade, quero me desligar do mundo e ser feliz.

Ele sorriu de forma marota e jogou a chave do carro para o alto antes de guarda-la no bolso da calça em um movimento rápido, desceu do carro e deu a volta abrindo a porta pra mim, estendeu a mão e eu segurei mesmo sem entender o que ele estava fazendo e então ele sussurrou:

-A aniversariante é a mas a noite vai ser sua – fechou a porta do carro e levantou o braço para que eu passasse minha mão por ele – você vai se divertir, maninha, ou eu não me chamo .

Ignorei o maninha, odiava quando ele me chamava assim, na verdade, eu costumava gostar, mas agora, tudo que lembre que ele é só meu amigo me causa uma dor que chega a ser insuportável.

Entramos na festa de braços dados e estava incrível, a musica alta vinha do lado de fora, dentro tocava algo mais suave, garçons andavam de um lado para o outro com bebidas diversas, pude ver algumas pessoas se divertindo na pista de dança e outras sentadas às mesas comendo algo, olhei procurando pela mas uma garota tirou minha concentração.

- – um tom agudo e absurdamente insuportável chegou aos meus ouvidos e eu me afastei por instinto enquanto ela puxava para um abraço, seu perfume doce e barato me causou um leve enjoo, ou foi a cena? Sacudi negativamente a cabeça ignorando esse pensamento e olhei para os dois – como você não me convida para uma festa dessa?

-Desculpa, , é que a festa não é minha, né – ele se retratou sem graça me olhando deixando claro que não tinha nada a ver com a presença dela, sorri de leve mostrando que estava tudo bem.

-Eu vou entrar – só Deus sabe o esforço que eu fiz pra não gaguejar nem transparecer que me importava com o fato dele ainda a segurar pela cintura mesmo que inconscientemente – procurar a e – resolvi parar de justificar já que me olhava de baixo pra cima com nojo, mordi o lábio inferior visivelmente nervosa e entrei na festa meio desesperada.

- – ouvi alguém me chamar mas não dei muita atenção, corri até o banheiro que eu sabia bem onde ficava, a festa de foi em sua casa mesmo, que por sinal, era absurdamente grande, ela teve a ideia de fazer dois ambientes, no salão principal tinha a pista de dança com algumas mesas e cadeiras em volta e a musica estava mais calma, as poucas pessoas que dançavam eram os mais velhos, provavelmente os pais dos que estavam lá fora, e crianças que corriam em círculos, no outro ambiente, lá sim a musica era tão alta que chegava a atrapalhar um pouco a de dentro, luzes piscavam de forma perturbadora e se fundia com as luzes do salão interior, cheguei no banheiro e passei uma água na minha nuca ainda ignorando a pessoa que me chamava, controlei minha respiração e pensei que se não iria me ajudar a me divertir, eu me divertiria sozinha, sai decidida e esbarrei com alguém na porta – finalmente, custava responder?

Capítulo 2


Ergui meu olhar e encontrei os dele, tão absurdamente azuis que deixariam qualquer um admirado, seu cabelo não era mais tão castanho como antes, agora estava quase preto o que ressaltava ainda mais a cor de seus olhos, me afastei rapidamente e arrumei meu vestido de novo e o encarei.

-O que você quer, Tyler?

-Falar com você – ele respondeu em um tom óbvio e me deu um beijo em cada bochecha me puxando para um abraço logo em seguida, fiz questão de me afastar – a festa ta bombando lá fora – ele riu e eu pude perceber que seu sorriso não mudara muito com o tempo, só suas covinhas que aumentaram consideravelmente fazendo-o parecer uma criança com um rosto angelical – vamos lá, a ta louca atrás de você porque você perdeu a entrada triunfal dela.

-Eu tive um probleminha, por isso me atrasei – expliquei de forma seca – to indo pra lá.

-A gente pode ir junto – ele me pegou pela mão e eu soltei rapidamente.

-Já disse pra você parar com isso – trinquei minha mandíbula irritada e passei por ele feito um tufão, marchei até a parte de fora da casa e vi a imensa pista de dança no gramado, umas cinco vezes maior que a que tinha no salão, como eu já disse antes, as luzes e a musica estavam em perfeita sincronia com a multidão de adolescentes loucos que se remexiam de forma perfeita naquela pista – – a reconheci de longe e ela sorriu abertamente pra mim caminhando lindamente em minha direção, seu vestido era de um rosa perfeito e rodado como de uma princesa, ela estava ainda mais linda.

-Achei que não viria – ela riu e me abraçou.

-Tive um probleminha com meu vestido – expliquei e correspondi ao abraço – mas não perderia isso por nada, nem que tivesse que vir de pijama – rimos juntas – parabéns, amiga, parabéns, parabéns, parabéns – me apertei mais a ela que reclamou ainda rindo, nos afastamos e eu estendi minha mão pra que ela desse uma voltinha – uaaaau, que perfeita.

-Você perdeu a minha entrada – ela se empolgou – tinha que ver a cara do .

-Espera – eu provavelmente arregalei meus olhos já que ela gargalhou gostosamente inclinando a cabeça pra trás – o ? Do time de futebol?

-Isso, esse – explicou ainda animada – ele é...

-Perfeito – completei animada por ela – não acredito que você fisgou logo o , quer dizer, – eu não tinha palavras pra explicar o que estava passando na minha cabeça.

-Relaxa, amiga, nada rolou ainda – ela deu uma piscadinha – ainda – reafirmou e eu neguei com a cabeça rindo – vem dançar comigo, por favor – fez um biquinho e eu não pude resistir, segurei a mão dela e a gente foi para o meio da pista.

-DJ Pauly D? – gritei já que a musica estava muito alta.

-Mimo do meu pai – ela respondeu de forma natural.

- , é o Pauly D – ri boba encarando ele – será que ele deixa eu passar a mão no cabelo dele?

-Nem inventa, amiga – ela me repreendeu com o olhar e eu ri voltando a me mexer no ritmo da musica.

Não me lembrava de ser assim tão...desenvolta, na verdade, não estava difícil dançar, balé era difícil porque era tudo ensaiado e coreografado, mas ali, seja pelo ritmo da musica ou pelo efeito do álcool nas pessoas, ninguém se movimentava de uma forma certa e sincronizada, todos faziam o que quisessem, apenas sentiam a batida da musica, fechei meus olhos e me entreguei aquilo, estava precisando de diversão, não encontrava essa diversão na bebida e nem na pegação que rolava ali, então só me restava dançar da forma que bem entendesse até a hora que quisesse, sem me preocupar sobre o que estavam pensando de mim, se achavam que eu dançava bem ou não, apenas me deixei levar.

Não sei ao certo quantas musicas tocaram mas eu estava tão absorta a aquele ambiente que nem reparei quando a pista deu uma leve esvaziada, olhei em volta pela primeira vez e vi dançando com num canto mais reservado, na verdade, eles conversavam e se moviam no ritmo da musica, ri por ela, sempre fora apaixonada por ele e agora ele estava ali, finalmente percebendo o quão perfeita ela é, voltei a encarar o local e vi Tyler me olhar de forma possessiva, ele tinha um copo na mão e possivelmente era uma bebida alcoólica qualquer, rolei os olhos e resolvi procurar algo pra beber também, estava bastante cansada e ofegante, passaria no banheiro pra dar um jeito no meu rosto e pretendia voltar para mais uma maratona de dança, peguei uma taça qualquer da bandeja de um garçom que passou ao meu lado sem me importar com o conteúdo dela e caminhei até a entrada da casa.

-Ei , finalmente te achei – uma voz familiar me fez parar abruptamente, me virei e só de olha-lo senti meu estomago se revirar – deu pra beber agora, é? – ele apontou a taça na minha mão com o queixo.

Eu não sabia que era algo alcoólico, peguei na correria achando que seria refrigerante, se fosse algo proibido pra menores eu jogaria fora, com certeza, mas, naquele momento, eu não admiti isso em voz alta, não consegui, não me pergunte o porquê, então apenas sorri fraco e disse:

-É a única, , prometo – dei um gole e, droga, quis vomitar bem ali na frente dele, seja lá o que for isso, é muito ruim e forte, senti o liquido descer queimando em minha garganta e fechei os olhos balançando levemente a cabeça afastando aquela sensação que agora queimava a minha barriga por dentro.

-Larga isso, – ele riu da minha cara e pegou a taça sem me dar tempo para objeções – você não está acostumada, não deve beber isso assim – ele cheirou o liquido e fez uma careta pondo a taça num murinho ali do lado – te vi dançando e não gostei muito, os caras estavam te secando – senti uma pontada de ciúmes no tom de sua voz e sorri brevemente de forma imperceptível – e eu prometi que nos divertiríamos juntos – ele frisou a palavra juntos inclinando o corpo um pouco para frente com a mão no bolso da calça, senti meu estomago dar voltas e voltas – quando terá outra bateria de dança pra eu te acompanhar?

-Quando você se soltar da , talvez – disparei sem pensar e logo me arrependi, principalmente quando vi um sorriso maroto brotar em seus lábios – desculpa.

-Não fica com ciúmes, eu já disse que ela é só uma garota, maninha.

-Maninha? – repeti pra mim mesma e senti meus olhos encherem de lagrimas, droga – , eu preciso ir no banheiro – foi a primeira coisa que veio a minha cabeça.

-O que ta rolando? – ele perguntou e eu vi se aproximar, agora sim eu estava ferrada.

-AMIGA, VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR – ela estava meio alterada, não bêbada, alegre, eu diria, é do tipo de pessoa que já veio com álcool circulando no sangue desde o nascimento, ela fala o que vem a cabeça, se diverte com tudo, é a típica “anima geral”, só que isso pode não ser uma coisa boa as vezes, como agora – você ta chorando? – ela me perguntou parecendo preocupada, mas seu estado estava tão alterado que ela parecia feliz com tudo, então quase não consegui perceber a preocupação em seu tom de voz.

-Não, é que – tentei falar mas ela me interrompeu, péssimo sinal.

-Culpa sua, – ela despejou e eu a chamei recriminando-a – não, eu vou falar – ela ergueu um dedo e perdeu um pouco o equilíbrio – tu é cego, homem? – senti meu corpo amolecer a cada palavra que era despejada da boca dela, ela falava das nossas conversas intimas, de como eu descobri que estava apaixonada pelo meu melhor amigo há alguns meses, de como eu chorei noites e noites por conta desse “maninha” e de como eu me sentia ao lado dele, por um segundo me admirei com o fato de uma pessoa razoavelmente alterada conseguir descrever tão bem sentimentos que nem eram dela, recobrei a consciência quando ela terminou seu raciocínio – essa menina – ela apontou pra mim e riu um pouco, porém eu e estávamos sérios – ela te ama – disse por fim com um tanto de dificuldade – assim, mais que amigo, entende? – estreitou os olhos e riu mais ainda – me sinto uma cupida – suspirou – enfim, para de fazer minha melhor amiga sofrer ou eu – ela parou a ameaça e olhou pra fora da festa – – saiu correndo e me deixou ali, com cara de tacho, desesperada e sem chão.

- – ele começou a falar mas eu o interrompi.

-Não fala nada, , não fala nada – consegui dizer com muito custo e passei correndo por ele.

Eu não imaginava o que faria, não tinha dinheiro para o taxi, não sabia dirigir, estava presa ali, irritada, com vergonha, querendo matar a , enfim, eu era um caldeirão de sentimentos misturados e isso tudo estava prestes a explodir, sentei na calçada de entrada e a musica vinda do quintal se misturava ainda mais com a vinda do salão e até aquilo contribuía para a minha irritação aumentar, resolvi pegar meu iPod na bolsa pra focar em apenas uma musica, apenas uma, musica sempre me ajudara a esquecer do mundo e agora não seria diferente, coloquei os fones e dei o play sem olhar em que musica estava, me arrependi amargamente disso quando a musica começou a tocar.

Justin Bieber-Fall
Well, let me tell you a story
(Bem, deixe-me lhe contar uma história)
About a girl and a boy
(Sobre uma menina e um menino)
He fell in love with his best friend
(Ele se apaixonou por sua melhor amiga)
When she's around
(Quando ela está por perto,)
He feels nothing but joy
(Ele não sente nada além de alegria)

But she was already broken
(Mas ela já estava magoada)
And it made her blind
(E isso a fez cega)
But she could never believe that love
(Mas ela nunca poderia acreditar que o amor)
Would ever treat her right
(Iria tratá-la bem)

Did you know that I loved you
(Você sabia que eu te amei?)
Or were you not aware
(Ou que você não estava ciente?)
You're the smile on my face
(Você é o sorriso no meu rosto)
And I ain't going nowhere
(E eu não vou a lugar nenhum)

I'm here to make you happy
(Eu estou aqui para te fazer feliz,)
I'm here to see you smile
(Eu estou aqui para te ver sorrir)
I've been wanting to tell you this
(Eu tenho esperado para dizer-lhe isto)
For a long while
(Há algum tempo)

Senti meu corpo todo estremecer, aquela musica, aquela musica dizia tudo que eu não tinha coragem de dizer, aquela musica descrevia tudo que eu sentia e não tinha coragem de expressar, por isso que eu sempre recorria a musica quando queria dizer algo, fechei meu olhos e deixei que as lagrimas rolassem livremente pelo meu rosto sem me preocupar com a maquiagem que já não existia mais, escondi meu rosto na curva do meu braço me apoiando no meu joelho, eu estava perdendo não só o amor da minha vida, mas também meu melhor amigo, meu companheiro, a única pessoa que me entende de verdade, me suporta, me apoia, está sempre do meu lado, eu estava sentindo isso escapar pelos meus dedos e não havia nada que eu pudesse fazer.

I will catch you if you fall
(Eu vou te segurar se você cair)
I will catch you if you fall
(Eu vou te segurar se você cair)
I will catch you if you fall
(Eu vou te segurar se você cair)
If you spread your wings
(Se você abrir suas asas)
You can fly away with me
(Você pode voar para longe comigo)
But you can't fly unless you let ya
(Mas você não pode voar, a menos que você se deixe)
Let ya so fall
(a menos que você se deixe cair)

Enxuguei minhas lagrimas depois que a musica já havia acabado e uma outra qualquer tocava, retirei os fones e respirei fundo buscando me acalmar, guardei meu iPod e encarei a rua deserta do condomínio luxuoso que a morava, me lembro de já ter desejado infinitas vezes ser como aquelas pessoas que moravam ali, todas pareciam felizes por serem ricas e terem tudo, imaginava que se eu chegasse a ter tanto não precisaria sentir tanto, mas estava enganada, nem todo dinheiro do mundo vai me privar de ter tantos sentimentos.

Espantei esses pensamentos egoístas e me levantei batendo a sujeira que havia ficado no meu vestido, arrumei mais ou menos meu cabelo no vidro de um carro que estava estacionado ali e vi que quase nada da minha maquiagem estava borrado, apenas meus olhos vermelhos e inchados me denunciavam um pouco, me virei esperando não encarar ninguém, havia traçado meu caminho mentalmente, iria até o salão e encontraria a mãe da , inventaria uma dor qualquer e avisaria que estava indo dormir mais cedo. Porém, a visão dele ali me encarando assim que me voltei para a entrada, me tirou completamente a concentração e sem perceber eu voltei a chorar.

-A gente tem que conversar, fugir de mim não vai adiantar nada – ele tinha um olhar triste – me dói te ver assim, pior, por minha causa – tentou se aproximar mas eu dei um passo pra trás e ele parou repentinamente – não faz isso, por favor – pediu.

-Não faz isso você – retruquei chorosa – não precisa sentir pena de mim, eu sei que a é melhor e louca por você, ta tudo bem, eu vou continuar sendo sua amiga e continuar estando do seu lado, eu só preciso de um tempo.

- – ele escondeu o rosto nas mãos e respirou fundo – eu não tenho nada com a , a gente só ficou algumas vezes, mais nada.

-Por que você está me dando satisfações? – perguntei ríspida – você pode ter qualquer garota que quiser, , eu não preciso que você fique se controlando por minha causa.

-Para de agir como se não significasse pra mim – ele me repreendeu com um olhar severo – eu nem acredito que vou dizer isso, mas, eu te amo – ele despejou e eu o encarei com uma cara obvia, ele sempre falara isso – não, não, é diferente também – ele explicou lendo minha expressão e eu senti meu coração bater quase em minha garganta – quando o Tyler te mandou aquele bilhetinho, lembra? Que você ficou toda derretida. Céus, como eu desejei ser ele, ali foi a primeira vez que eu senti ciúmes – ele riu de forma desajeitada – aquela vez, ano passado, que nos brincamos de verdade ou consequência na casa do Zac e nós tivemos que dar um selinho – ele riu abobalhado e eu sorri junto – eu acho que nunca fui tão feliz como naquele dia, e quando você entrou na sala hoje e eu vi como você está se tornando uma mulher linda eu fiquei desesperado porque ficaria cada vez mais difícil esconder o que eu sinto por você – senti sua mão em meu cabelo e pisquei atordoada me perguntando como ele se aproximara sem eu notar – eu nunca desconfiei de nada e eu nunca tentaria nada porque te ter como amiga já é um grande prêmio pra mim, mas agora, agora eu sinto que tudo vai ser diferente – ele se aproximou do meu rosto e uma das suas mãos pararam na minha cintura, minha garganta doía de tão apertada que estava, podia sentir todo meu corpo formigar – nós crescemos – senti ele sussurrar em meus lábios e fechei meus olhos querendo guardar cada segundo daquele momento – e eu sou o cara mais feliz do mundo por te ter aqui.

Não sei ao certo como foi, na verdade eu tinha medo desse momento, imaginei que seria como a , marcaria um lugar, uma hora, e pronto, teria meu primeiro beijo, mas na verdade, foi ainda mais mágico, ainda mais especial, foi com a pessoa que eu mais confio na minha vida, que mais me conhece e que eu amo, não foi um evento marcado, foi uma consequência de um sentimento puro e verdadeiro, em um segundo eu senti os lábios dele encostarem nos meus de forma suave, nessa hora eu sabia que ele ouviria meus batimentos cardíacos de tão descompassados que estavam, me atrevi a passar a mão pelo braço dele subindo até sua nuca, eu precisava sentir aquele cabelo que eu tanto amava, cravei meus dedos em meio aos fios escuros e cheirosos e deixei que ele guiasse, deixei que ele me ensinasse o que precisaria ser feito, eu não fazia ideia mas vi que tinha razão, na hora, mesmo com toda inexperiência do mundo, a gente sabe o que fazer, sabe como fazer, é algo instintivo, natural. Nos separamos com breves selinhos e eu não consegui segurar um sorriso, eu estava feliz, muito feliz, e a minha cara devia estar boba demais porque ele riu também e eu não sabia se era de mim ou pra mim, mas não importava, era um sorriso lindo de qualquer maneira.

-Eu nem posso acreditar nisso – finalmente quebrei o silencio, não que estivesse constrangedor, admira-lo nunca seria cansativo pra mim, mas eu precisava colocar em palavras tudo que eu estava sentindo, mesmo tendo certeza que nenhuma expressão em nenhuma língua desse planeta descreveria o que se passava pela minha cabeça nesse momento – achei que teria que matar a mas acho que devo agradecer – ele riu abafado e concordou com a cabeça.

-Sem duvida agradecer – concordou e de uma hora pra outra tudo que envolvia ele se tornou irresistível demais pra mim – você vai dormir aqui, né? – ele perguntou e eu concordei sem entender onde queria chegar – vai pra casa que horas?

-Hm, provavelmente depois do almoço – disse juntando as sobrancelhas – por que?

-Preciso conversar com seus pais – disse de forma natural e meu coração voltou a sambar dentro do meu peito e eu tive a certeza de que não corro o risco de morrer de nada relacionado a ele já que superou bem todas as emoções de hoje.

-Con-conversar? – repeti com uma certa dificuldade.

-É – ele afirmou – você sabe, sobre a gente – ele se afastou um pouco mas ainda mantendo a mão na minha cintura – quero fazer tudo certinho.

-Tipo – falei devagar tentando camuflar meu desespero – um pedido de namoro.

-Exato – ele sorriu de leve e eu suspirei.

-Você não deve me pedir primeiro não? – desafiei estreitando os olhos.

-É, claro, mas isso eu quero fazer de um jeito mais – parou repentinamente como se estivesse escolhendo as palavras – especial – finalmente concluiu curvando a boca num sorriso de canto, isso sim era extremamente irresistível.

-Você sabe que eu odeio coisas que chamem a atenção – o repreendi, ele sabia disso, odeio demonstrações publicas de carinho, acho que quanto mais intimo mais nosso, sabe? Ninguém precisa saber o que acontece, se nós dois sentimos está perfeito – eu já sou sua, , não precisa de muita coisa a mais – não sei como isso saiu da minha boca mas como ele tudo parecia mais fácil.

Ele sorriu como uma criança que acaba de ganhar o maior doce do mundo, via nos olhos dele que era isso que ele precisava saber e eu precisava dizer e esperava que fosse sempre assim, um completando o outro.

-Isso é um sim?

-Isso é um pedido? – retruquei rindo.

-Sem duvida.

-Então, sem duvida é um sim – respondi dando fim a aquele assunto e ele me puxou para outro beijo.

Continua...

3 comentários:

  1. Ahhhhhhh, eu amei, é muito boa essa fic.
    Posta logooooooo...
    Bjksss ;)

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  2. Eu tive que colocar Jemi. Maio consigo me colocar... Rsrsrs

    Awnnnnn que lindos.
    Apaixonada e não sabia que era correspondida...
    Ameiiii!
    Postaaa maissss pleaseee




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