quinta-feira, 7 de março de 2013

EEEEEEEEEI

Gente, cês querem que eu poste o último capítulo logo ? Heeeein ?

ATENÇÃÃÃO!

Gente, eu to deprimida! A fic tá acabando :((( Falta 1 capítulo, 1! Espero que vocês gostem, aguardem e preparem os lencinhos !

I Love You To The Moon And Back - Capítulo 29

                                     Capítulo 29

Quando a sensação de felicidade, se sentindo justa em se punir daquela forma, passou, o sentimento de culpa a invadiu tão violentamente como um soco e a fez chorar mais uma vez de forma mais assustadora que antes, jogou a lamina longe, não viu ao certo onde caiu, e se encolheu de novo, dessa vez, sem se importar com o chão gélido, encarou o nada pondo a mão na nuca balançando de um lado para o outro, o que acabara de fazer era inadmissível, estava lutando contra isso há mais de um ano, não podia simplesmente jogar tudo fora.

Respirou fundo tentando acalmar os pensamentos suicidas, era sempre assim, ela abria uma brecha, por menor que fosse, e todos os outros monstros internos se afloravam de tal forma que ela não conseguia dominar, negou com a cabeça e a levantou sentindo a água cair sobre seu rosto, pediu a Deus forças e quando abriu lentamente os olhos encarou os dedos já enrugados, há quanto tempo estava ali? Se perguntou. Possivelmente a mais de uma hora.

Levantou-se relutante e desligou o chuveiro quando teve a certeza que o fluxo de sangue em seu pulso, pouco abaixo da palavra “stay”, havia parado.

-Strong – encarou o outro pulso enquanto pegava a toalha – sua força é uma piada – riu sem humor e passou a toalha pelo corpo envolvendo a mesma no cabelo depois que terminou – você é uma piada, Demi – disse baixo embora houvesse prometido que não se diminuiria mais com essas palavras tão duras.

Colocou um band-aid nos dois cortes piores e ignorou os outros, esses não sangrariam de novo, vestiu suas roupas íntimas e pensou no que colocaria para dormir, precisava ser algo de manga comprida embora desacreditasse que Joe fosse dormir com ela, mesmo assim, precisava ser precavida, porém estava calor e todas as blusas que tinha eram pesadas demais para dormir, até que se avistou seu pijama xadrez vermelho e preto atrás da porta do banheiro, vestiu-o e ficou apenas de calcinha já que ele era bem maior que ela e tinha um tecido bem leve, deixando-a confortável para o calor e para esconder as novas marcas.

Encarou o espelho e viu que estava acabada, rosto abatido, cansado, os olhos ainda um pouco inchados e olheiras, suspirou e escovou os dentes rapidamente, já havia enrolado muito ali dentro, mordeu os lábios, deu uma última conferida pra ver se não tinha nenhum vestígio de sangue nem nada que a entregasse e saiu encontrando Joe sentado na cama olhando pra ela.

Ignorou-o completamente, foi até a penteadeira pegando um dos seus melhores cremes hidratantes, começou a passar na perna quando ouviu Joe pigarrear, não se virou pra ele, nem se mexeu, continuou fazendo o que estava fazendo.

-Esse é o meu favorito – ele disse se referindo ao hidratante mas ela continuou ignorando-o – você não vai falar comigo, né? – fez uma pergunta retórica – não vai perguntar onde eu fui? O que eu fiz? Com quem eu estava? – frisou a palavra “quem”.

Demi o encarou e suspirou derrotada, desabotoou a blusa e passou o creme pelo pescoço descendo até a barriga em movimentos circulares, Joe arfou mordendo os lábios.

-Não me importo, você já é bem grandinho – terminou e tampou o potinho colocando-o na penteadeira – e outra, com certeza tinham paparazzi atrás de você.

-Então você vai procurar saber?

-Não – se sentou na cama e ele se ajeitou para olha-la – eu quero continuar confiando em você, embora ultimamente você não tenha me dado muitos motivos.

Aquelas palavras lhe atingiram de uma forma assustadora, apesar de tudo, não queria perde-la, não suportava a ideia de não estar com ela, por um instante se desesperou.

-Desculpa – sussurrou – depois que eu vi você colocando o Ronan pra dormir eu tive certeza que você tomou a decisão certa, o lugar dele é aqui com a gente…enquanto for possível – sussurrou o final.

-Tenta não pensar nisso, ok? – ela sorriu de leve e passou a mão no rosto dele – eu te amo e eu não quero estragar tudo.

-Eu que estou estragando tudo – ele abaixou o olhar rindo da situação – eu acho que não te mereço.

-Eu também acho que não – disse sincera e ele a encarou – mas fazer o que, né, a gente não escolhe quem a gente ama.

-Sua sinceridade sempre me impressiona.

-Quem bom – ela riu e tombou para o lado dando um beijo demorado nele – boa noite – disse começando a abotoar a blusa do pijama.

-Ah, não, deixa aberta – reclamou.

-Como é? – ela riu e terminou o último botão – creio que isso não é o certo a se focar agora, né.

-Não podemos pagar mal por mal – repreendeu Joe sorrindo da situação.

-Para de rir, eu não to brincando.

-O que? – ele se assustou com a ideia.

-Isso mesmo, lindinho – Demi se aproximou dele – greve de sexo – disse pausadamente.

-Tá de brincadeira…

-Você acha que eu ia te perdoar tão facilmente? – riu – iludido.

-Demi, me desculpa, eu – começou a atropelar as palavras.

-Joseph, calma, você ainda não viu nada – ela aproveitou que ele estava sem camisa e arranhou de leve a barriga dele que se contraiu na hora – além de não ter nada por um tempo que eu ainda vou determinar – ela se aproximou mais e mordeu os lábios dele, seguindo uma fileira de outros beijinhos de leve até a orelha voltando a sussurrar – eu ainda vou te provocar até você implorar por isso.

-Isso não sei faz – ele disse com dificuldade mantendo os olhos fechados, mas não resistiu a proximidade e a pegou pelo braço se virando para ficar por cima, ao mesmo tempo que a ouviu reprimir um grito de dor – tá tudo bem?

Demi não conseguiu conter a lágrima que rolou lentamente pelo seu rosto, Joe arregalou os olhos desesperado e se afastou procurando onde podia tê-la machucado, quando encarou onde suas mãos estavam se desesperou.

-Me solta – ela disse com dificuldade enquanto uma vergonha a invadia – me solta, por favor – pediu e sua voz vacilou com o desespero, ele a soltou e na hora ela passou a mão no pulso.

-Demi – sussurrou apavorado, uma coisa era ela ter esse hábito, outra era ela manter, e o pior, por culpa dele, na hora que se deu conta do que havia acontecido, ele se lembrou das palavras duras que tinha dito na clinica.

-Não fala nada, Joe – ela se levantou – ninguém entende, ninguém nunca entende.

-Eu…

-Você diz que não me merece – ela o interrompeu – mas eu é que não te mereço, na verdade, ninguém memerece – ela suspirou sentindo seu rosto se inundar com as lágrimas – olha pra mim, sou uma louca que não tem coragem pra enfrentar os problemas e se machuca – parou de falar e o encarou, seu olhar estava carregado de desespero, era como se as palavras mostrassem uma coisa e os olhos mostrassem outra, na verdade, ela só queria ajuda – sabe o que é pior? Uma menina qualquer me parar na rua e me dizer que eu a fiz forte, que eu a ensinei a passar por cima dos seus problemas, eu – ela riu sarcástica – eu, Joseph, EU? – começou a gritar do nada – EU SOU UMA MENTIRA, EU NÃO SOU FORTE, EU QUIS ME MATAR DENTRO DAQUELE BANHEIRO E SABE O QUE ME IMPEDIU? – ele engoliu o nó na garganta e encarou a menina frágil a sua frente – você – sussurrou – você e o Ronan são o que me prendem aqui.

Ele não sabia o que falar, olhou pra ela tentando entender o que ela queria, realmente não sabia como agir naquela situação, respirou fundo e fechou os olhos pensando o que ela significava, bipolar ou não, com transtornos alimentares ou automutilação, com qualquer desses problemas ou sem eles ela era a Demi, a sua Demi, a menina que o fez esquecer o passado, a sua pequena, que ele queria cuidar, proteger, ao mesmo tempo, parecendo frágil, ainda era seu porto seguro, seu ponto de equilíbrio.

Cambaleou até ela ainda meio atordoado e a encarou fixamente deixando transparecer apenas com o olhar que estaria com ela independente de tudo, sorriu de leve lhe passando confiança, beijou sua testa de forma demorada e a envolveu pela cintura, Demi suspirou.

Depois de alguns minutos ele se afastou, pegou-a pelo braço e levantou a manga da blusa, por um instante quis gritar, aquilo não era justo, ela era tão linda, tão perfeita aos seus olhos, vê-la se machucar daquela forma o causava enjoo, negou com a cabeça voltando a pensar coerentemente e beijou de leve o pulso dela, na hora Demi só conseguiu chorar.

-Eu vou cuidar de você – ele sussurrou levantando o olhar sem deixar de acariciar sua mão – eu vou estar com você sempre, mesmo que as vezes eu aja como um idiota e diga coisas no calor da discussão, não se esqueça de que eu te amo e eu estou do seu lado – voltou a segurá-la pela cintura – esse é o ponto forte do nosso relacionamento, você percebeu? – ele riu sem jeito e entrelaçou os dedos aos dela enquanto a outra mão passeava livremente pela cintura de Demi – eu preciso de você tanto quanto você precisa de mim, esse apoio mútuo é o que nos une, eu te amo, Demi, e eu quero te ver feliz pra eu ficar feliz, eu não consigo suportar a ideia de ter falhado com você e…

-Shi – ela levantou a mão livre e colocou o dedo indicador na boca dele – eu só preciso do seu abraço agora, de mais nada.

Ele suspirou e a pegou no colo como faria com Ronan, carregou-a até a cama e ambos se ajeitaram, ela apoiou a cabeça no ombro dele se escondendo no pescoço e foi se acalmando aos poucos, Joe a apertou pela cintura e se arrumou fazendo um desenho na perna dela com o dedo, descia e subia de forma leve, eles ficaram assim, em silencio por um longo tempo.

-Demi – ele chamou com a voz rouca e ela se arrepiou.

-Hm – respondeu fraca já que seus olhos pesavam de forma assustadora.

-Achei que estivesse dormindo – ele disse baixo – sobre a greve…

-Ainda está valendo – ela disse e riu de leve se entregando ao sono que a dominava.

Cara, como eu sou muito boazinha, postei mais um capítulo hoje. E esse é o penúltimo! Gente, preparem seus corações, preparem! Só digo isso.
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I Love You To The Moon And Back - Capítulo 28


                                               Capítulo 28

Demi se levantou cuidadosamente, não queria que Joe acordasse, foi até o banheiro e quando viu seu reflexo no espelho reparou o sorriso bobo que tinha nos lábios, suspirou e lavou o rosto escovando os dentes logo em seguida, colocou uma blusa qualquer e um short e desceu as escadas faminta.
-Aê, finalmente – Nick a recebeu – não entendi nada quando a Miley me puxou portão a fora ontem a noite.
-Onde vocês dormiram? – ela perguntou fuçando a geladeira.
-Na casa da Selena – Miley entrou na cozinha respondendo – nunca mais faço isso, a Eleanor mal dormiu com o ronco do Bieber, por isso madrugamos aqui, fiquei com medo da festinha estar rolando até agora.
-Po, impossível – Nick riu.
-Ou não – Demi brincou e eles arregalaram os olhos.
-Já vi que não vai torturar a mim e a Selena.
-Não mesmo – riu mais ainda.
-Seus fãs sabem desse seu lado, Demi? – Nick implicou e ela tacou o pano de prato nele.
-Hoje a sua mãe disse que vai levar a Denise pra fazer compras – Miley mudou de assunto – eu vou tentar dormir já que eu não dormi nada essa noite…
-Eu vou pra clinica hoje, relaxa – ela disse pegando algumas coisas na geladeira e indo se sentar a mesa com Nick e Miley – já vou acordar o Joe.
-Não precisa – ele riu, estava com o olhos inchados, descabelado e só de bermuda – bom dia – foi até Demi e deu um selinho demorado nela.
-Ou, mas já? – Miley riu.
-Bom dia pra você, ciumenta.
-Não é ciúmes, só não quero poluir minha visão, principalmente a essa hora.
-Ou seja – ele se levantou e a agarrou por trás – ciúmes.
-Vai se ferrar, Joseph – Miley reclamou ao mesmo tempo que o telefone tocou.
-Eu atendo – Demi disse se levantando – alô.
Ela esperou um tempo para que a pessoa do outro lado da linha dissesse algo e a medida que ouvia ela ia ficando pálida, seu coração acelerou de tal forma e uma tontura a atingiu em cheio que foi necessário se agarrar a bancada da cozinha para não cair, piscou duas, três, várias vezes seguidas para por todas aquelas informações no lugar enquanto os outros a encaravam assustados, Joe fez menção em dizer algo mas ela arrumou forças, sem saber de onde, para levantar a mão impedindo-o, se concentrou no que a pessoa do outro lado da linha dizia e desligou logo depois de sussurrar com extrema dificuldade:
-Estamos chegando.
-O que houve? – Nick perguntou mas ela não conseguiu dizer nada.
-Calma, senta aqui – Joe disse calmamente e a pegou pelo ombro guiando-a até a cadeira, Demi ainda não tinha se dado conta o quão forte fincou os dedos na bancada, eles agora latejavam mas ela não tinha tempo pra se preocupar com isso – Miley, prepara um pouco de água com açúcar, por favor – ordenou de forma firme e se virou pra Demi – o que aconteceu, amor?
Ela abriu a boca algumas vezes mas nenhum som saia, estava com o olhar assustado, parecia uma criança perdida, de repente sentiu a boca seca e começou a tremer de forma assustadora encarando Joe com…pena? Ele se perguntou, por que ela estaria sentindo pena dele? Não fazia sentido mas mesmo assim era só isso que ele conseguia decifrar nos olhos dela, pena e desespero, um imenso desespero, que o deixava ainda mais preocupado.
-Toma, bebe – Miley disse entregando o copo pra ela, que bebeu tudo de uma vez e aos poucos pode ir recobrando os sentidos, voltou a encarar Joe a sua frente, intacto, esperando uma explicação pra aquilo tudo, não sabia como dizer a ele o que precisava dizer, apenas se lembrou das vezes em que a vida havia lhe obrigado a ser forte e se prometeu que ali não seria diferente, e como se fosse mágica, aquela Demi forte e decidida se levantou da cadeira.
-A gente tem que ir pra clinica – disse normalmente e subiu as escadas correndo.
-Droga – Joe disse irritado e socou a mesa.
-Alguém me explica? – Nick perguntou, ele e Miley se olharam confusos.
-Alguma coisa aconteceu com o Ronan, eu sinto – Joe se desesperou e não fez questão de esconder as lágrimas – ela não vai se deixar abalar, eu sei disso, e isso não vai fazer bem a ela, eu vou ter que segurar tudo sozinho.
-Ela parece tão… – Miley começou a dizer.
-Forte? – ele a cortou – é, ela se obriga a isso as vezes, mas vai por mim, quando ela não aguentar mais eu tenho até medo do que vai acontecer – ele levou as mãos até o rosto – eu vou tentar falar com ela depois, mas agora, eu preciso ir pra clinica.
-Relaxa, você não está sozinho – Nick se levantou e abraçou o irmão que sorriu em resposta.
Joe entrou no quarto em silencio, se sentou na cama e esperou pacientemente o banho de Demi terminar, assim que ela saiu ele entrou para tomar o seu, eles não se olharam por muito tempo, ela estava se controlando pra não desmoronar na frente dele, ela se cobrava isso pois sabia que ele não aguentaria quando descobrisse o que estava acontecendo.
-Demi – Joe chamou assim que estacionou o carro em frente a clinica – eu prefiro saber por você.
-Eu acho que não consigo contar – ela disse baixo fitando o nada.
-Tudo bem – ele suspirou e segurou a mão dela obrigando-a a olha-lo – mas promete que vai estar comigo, por favor.
-Sempre – ela ergueu sua mão livre e fez um carinho no rosto de Joe, puxando-o para um beijo demorado – vou estar sempre com você.
Eles desceram do carro de mãos dadas e foram recebidos por Ashley com um sorriso forçado.
-Não precisa fingir ser simpática, Ashley – Demi disparou e Joe mudou de cor.
-Demi…
-Cansei de tudo, Joseph – caminhou puxando-o pela mão até a bancada onde uma simpática recepcionista digitava algo no computador - Alice – riu, elas haviam feito amizade, na verdade, Demi a comprava com bolinhos, roupas de grife, sapatos e joias toda manhã, só pra ficar de olho em Ashley.
 -Demi, querida – na hora a menina se virou simpática – tudo bem?
-Sim – disse pra si mesma, na verdade – a médica do Ronan disse que gostaria de falar comigo e com o Joe, você pode ver se ela está desocupada agora?
-Claro, um segundo – a menina apertou um botão e chamou a doutora – ela está na sala dela, vocês sabem onde é, certo? – perguntou e o casal concordou com a cabeça – está pronta para recebê-los.
-Obrigada – Demi sorriu e apertou a mão de Joe, queria passar confiança a ele, mas isso lhe faltava também, então pareceu mais um ato de desespero e nervosismo, entraram silenciosamente e a médica os encarou séria, péssimo sinal.
-Sentem-se – ela disse arrumando os papéis a sua frente.
-Doutora, eu – Joe tentou dizer enquanto se sentava, mas ela o interrompeu.
-Por favor, Senhor Joseph, aguarde até que eu termine – disse e Demi olhou pra ele estendendo a mão, ele a segurou como se sua vida dependesse disso – sabemos que chegamos no último estágio do tratamento do Ronan, ele não respondeu aos estímulos e não encontramos nenhum doador compatível…
-Ainda – Demi disse confiante.
-Por favor – a médica continuou – ontem a noite ele piorou de forma preocupante…
-EU QUERO VÊ-LO AGORA – Joe se levantou tão rápido que Demi deu um pulo ao seu lado.
-Senhor Joseph, não me obrigue a tomar medidas piores com você – a médica elevou o tom de voz e o encarou severamente, que voltou a se sentar relutante – chegamos a um patamar crucial na vida dele e temo que ele não resista.
-Mas ele estava bem – Demi disse e o tom agudo de sua voz entregou seu medo, sua muralha estava caindo aos poucos – você não falou nada sobre o estado dele – encarou Joe – isso quer dizer que ele estava bem, não quer?
-Na verdade – Joe disse – ele passou a maior parte do tempo desacordado devido ao tratamento e aquelas manchas roxas – parou de falar repentinamente já que um nó o sufocava.
-Meu Deus, Joe – ela se espantou – por que você não me falou?
-Eu não tive tempo – disse – eu cheguei em casa e você – ele parou de novo – você sabe.
-Está dizendo que a culpa é minha? – ela abriu a boca incrédula.
-Estou dizendo que nós não estamos focando no que é certo – ele rebateu – não era hora para aquilo, você sabe.
-Eu não fiz nada sozinha – disse entre dentes.
-E você acha que dava pra resistir? – ele elevou um pouco o tom de voz.
-Acalmem-se, por favor – a médica pediu firme e eles a encararam – me escutem, não há muito mais o que se fazer – ela sussurrou – digo, podemos ficar com ele aqui, preso àqueles aparelhos e abatido, ou ir pra casa com vocês, manter os medicamentos e viver um pouco no meio desse caos, estaremos de sobreaviso caso precisem de algo.
-Quer dizer que eu vou ter que conviver com o meu filho sabendo que no segundo seguinte ele pode não estar mais ali? – Joe perguntou, agora não conseguia controlar as lágrimas – imagina, eu não consigo.
-Ele pode ficar…
-Não – Demi a interrompeu – nós vamos leva-lo.
-O que? – ele se virou pra ela – Demi, eu não vou conseguir, ele vai estar bem e um segundo depois ele pode estar morto, entendeu bem, morto?
-PARA, JOSEPH – ela gritou começando a chorar também – você prefere o que? Que ele fique aqui, sozinho, é isso? Que ele não tenha nada de bom antes de – não conseguiu falar – droga, Joe, droga, eu quero fazê-lo feliz, eu quero amenizar tudo isso.
-É IMPOSSÍVEL – ele se levantou de novo – é impossível – parou na porta e a encarou, seus olhos estavam inchados e ele apertava fortemente a própria nuca enquanto mordia os lábios – eu não consigo sem ele aqui – e saiu transtornado.
-Eu vou atrás dele – Demi disse se levantando.
-Demi, sem querer me meter – a doutora disse se levantando também – mas ele já é um homem, sabe o que fazer, já o Ronan está esperando por vocês no quarto.
-Mas eu tenho medo que ele faça alguma besteira – disse baixo.
-Ele não vai – pela primeira vez a medica sorriu, mesmo que tenha sido de leve – ele vai ver que é o melhor a ser feito.
Demi concordou com a cabeça e saiu da sala, passou no banheiro e lavou o rosto respirando fundo, ligou para Nick e pediu pra ele procurar Joe e quando achou que estava relativamente bem, foi ao encontro de Ronan e por sorte o pegou acordado.
-Oi meu amor – Demi sorriu abertamente fechando a porta e se sentando na beirada da cama – como você tá?
-To com sono – ele reclamou.
-Eu tenho uma noticia que eu acho que pode te animar, mas antes eu quero que você me ajude com uma coisinha.
-Pode dizer – Ronan disse, Demi tentou ignorar o tom baixo e cansado de sua voz.
-Quero que você me fale tudo que você sempre quis fazer, os lugares que sempre quis ir, os filmes que quer assistir, tudo, vou fazer uma lista.
-Eu não quero nada – ele disse baixo e a encarou – eu só quero ir pra casa.
Demi respirou fundo para não chorar bem ali, bem na frente dele, se ajeitou na cama e sorriu de forma maternal.
-Mas isso já vai acontecer – disse empolgada.
-Jura? – o pequeno sorriu – caramba, é mesmo?
-Sim – Demi riu se levantando – daqui a pouco a doutora virá aqui e daí só a gente arrumar as coisas.
Em poucas horas Demi já estava com Ronan em casa, uma enxurrada de recomendações e uma dose de preocupação a mais, porque até agora não havia nem sinal de Joe, resolveu se desligar disso e passou o dia assistindo a maratona de Bob Esponja, quando se deu conta já era noite e Ronan dormia calmamente ao seu lado, a primeira coisa que ela fez foi ver se ele respirava, se sentiu aliviada ao constatar que sim, se levantou calmamente para não acorda-lo quando sentiu lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
-Eu te amo tanto, filho – passou a mão pelo rosto dele enquanto sussurrava – eu te prometo que vai ficar tudo bem – beijou de leve o topo da cabeça dele e ajeitou o cobertor a sua volta, deu uma última conferida nos comprimidos na mesinha e nos horários a serem tomados, se virou pretendendo chorar em silencio até não sentir mais esse aperto no peito, mas encontrou Joe parado na porta, encarando a cena, igualmente emocionado.
Demi passou por ele como se ele fosse um objeto, pode ouvi-lo entrar no quarto de Ronan, ela foi direto para o banho, demorou o máximo que pode lá, apreciava enquanto cada gota de água relaxava seus músculos de forma milagrosa, fechou os olhos e chorou tudo que havia segurado até agora, pediu a Deus que o barulho do chuveiro abafasse os sons de seus soluços que eram cada vez mais altos, se agachou lentamente até se sentar no chão, o contato com o chão gelado fez com que ela fizesse uma careta, jogou a cabeça para o lado e encarou uma caixinha na prateleira mais alta ao lado do armário.
-Não – se surpreendeu com seu próprio sussurro – você não pode, você não tem culpa – disse pra si mesma – você é forte, Demi, muito forte.
Ela encarou mais uma vez a caixinha e voltou a chorar, escondeu o rosto entre os joelhos e abraçou a perna tentando manter um raciocínio lógico, mas tudo que vinha a sua mente eram as palavras de Joe, afinal, ele estava certo, se ela estivesse sido radical desde o inicio com toda essa história de ter uma noite romântica, nada disso teria acontecido, certo? Não, não era certo, ela não tinha culpa, mas a situação fazia com que ela se sentisse culpada e isso era demais pra ela, se levantou sem se preocupar em como estava molhando o chão do banheiro e abriu a caixinha pegando a lâmina que estava dentro, não sabia ao certo como havia chegado ali, nem como havia começado, só se deu conta quando a água ao seu lado tomou um tom avermelhado e seu pulso começou a arder de forma assustadora, tudo voltou como era antes, ali estava a Demi de sempre, jogada no chão do banheiro quebrando promessas antigas.

 Gente, só faltam 2 capítulos ! ! Vamos chorar :((( 
E aí, comentários ? xx