quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mini Fic - I Got My Hands Up


I Got My Hapds Up

-Estava com saudades? – ouvi sua voz mas não o achei, a sala era escura e apenas uma luz fraca iluminava no canto da parede, mesmo sem vê-lo tinha a certeza, ele estava sorrindo.
-Você não faz ideia – sorri também com um tom irônico invejável, pude ouvi-lo bufar e dar alguns passos ao redor da cadeira onde eu estava, por reflexo tentei me defender mas me lembrei, estava algemada e presa de todas as formas existentes.
-Relaxe, Demetria – ele riu novamente e isso me causou um calafrio, meu nome na voz dele sempre me parecera mais…atraente, revirei os olhos e, como conhecia aquele lugar perfeitamente bem, abaixei minha cabeça, bingo, a mesa estava na minha frente, como sempre, apoiei minha testa ali – sabe como as coisas sempre terminam entre a gente, não é? Então por que se desesperar.
-Não se aproxime – alertei entre dentes sentindo que ele chegara perto.
-Você sabe que não deve fazer isso por aí, não sabe? – seu tom de voz era passivo e eu podia apostar que ele forçava um biquinho como se eu fosse uma criança que bateu no coleguinha.
-Você sabe que as coisas não mudam nunca – forcei o mesmo tom dele – não sabe? – completei a imitação e ele riu fraco.
-Demetria, Demetria – senti a distancia entre nós diminuindo aos poucos – o que eu devo fazer com você, hein?
Eu sabia que era uma pergunta retórica mas não pude deixar que minha mente vagasse por todas as ideias mais absurdas que existiam no planeta, mordi meu próprio lábio afim de afasta-las e ele pareceu ler meus pensamentos, já que se aproximou de vez agachando ao meu lado.
-Só me deixa ir – disse com dificuldade.
-Como? – ele perguntou com um fundo de zombaria na voz – sou um delegado e você uma criminosa, como vou deixá-la ir?
Rolei os olhos ainda com a teste apoiada na mesa, ela já começava a doer mais eu não me importava, eu só não queria mais ficar ali.
-Como sempre deixou – rosnei.
-Isso me faz pensar que você se mete nessas encrencas só pra me ver de novo – ele suspirou e eu me desesperei, aquilo era um pouco verdade, mas uma mulher como eu não dá o braço a torcer – sei que a experiência que você tem no mundo do crime é suficiente pra saber fugir de mim sempre que eu estiver prestes a te pegar, mas dessa vez você praticamente se entregou.
-Eu torci meu pé – disse irritada.
-Você é uma péssima mentirosa – ele riu um pouco mais alto dessa vez.
-Acabe logo com isso, Joseph, não tenho o dia todo.
-Você terá a vida toda, Demetria – ele disse perdendo um pouco a paciência – se eu resolver finalmente te prender – senti ele se afastar e me senti desprotegida, que irônico, era pra eu ter medo dele, mas – me diga, por que ainda se envolve nisso?
-Isso não é da sua conta – rosnei.
-Não? – ele perguntou – por acaso esses ataques a mão armada nas joalherias da cidade não são da minha conta? – ele parou de andar repentinamente – não são da conta do delegado?
Engoli seco, de fato ele tinha milhões de motivos pra me prender para o resto da vida, eu já estivera ali várias vezes, sempre acabava do mesmo modo, na verdade, não entendo porque ele ainda está enrolando, não foi por isso que eu deixei que ele me pegasse, rolei os olhos, não iria admitir isso nunca.
-Por que você ainda está nessa, hein? – tentei sorrir e levantei o rosto, com certeza minha testa estava marcada – você acha que se eu aprendesse alguma lição eu teria voltado aqui?
Um silencio pareceu esmagar as paredes daquela sala, eu estreitei os olhos mas não consegui vê-lo em lugar nenhum, devo admitir que essa tensão era boa, muito boa, ele podia estar em qualquer lugar planejando finalmente fazer algo…ou me prender.
Se fosse há um tempo atrás eu não suspeitaria do pior, mas levando em conta que ele ainda está nesse papinho até agora, eu tenho minhas dúvidas talvez ele tenha cansado. Só a ideia me fez pirar, não suportaria isso, não suportaria ficar sem ele.
-O que te faz pensar que você tem alguma moral aqui? – ele chegou a deixar escapar um sorrisinho.
Pensei em jogar na cara dele que eu tinha sim uma certa moral sobre ele e sobre essa nossa brincadeirinha de gato e rato, mas eu estava ali por um objetivo e já tava começando a ficar entediada.
-Desculpa – disse ainda zombando – você que manda, Joseph – sorri com meu próprio tom desafiador – você sempre manda.
-Sem provocações, Demetria – ele alertou mas eu ainda não conseguia vê-lo – você ainda pode ser presa.
-QUE INFERNO, JOSEPH – estourei e tentei me soltar mais uma vez, meu pulso doía –para de enrolar então e me prede logo.
Ele ficou alguns segundos em silencio e eu tive a certeza de que agora estaria ferrada de vez, pronto, minha mente foi longe enquanto já pensava em um jeito eficaz de fugir da prisão, já que pelo visto não teria nada mais ali, sua risada próxima ao meu ouvido me assustou, ao mesmo tempo que fez uma corrente elétrica percorrer meu corpo inteiro, me encolhi por instinto.
-Não estou enrolando – ele disse ainda mais próximo, seu hálito quente me fez suspirar e ele riu vitorioso – seu corpo já me dá sinais sem eu ao menos te tocar – suspirou baixo e beijou minha nuca – admita.
-Não tenho nada pra admitir – disse mesmo sabendo o que ele queria, nunca admitiria.
-Não? – ele passou os dedos de leve pela minha nuca, me virei tentando me proteger e encontrei seus olhos cor de mel, a pouca iluminação não me permitia ver muito mais que isso – você sabe exatamente os dias que eu estou sozinho aqui, sabe quando eu tenho que cuidar de ladrõesinhos como você com as minhas próprias mãos, por que chamar a atenção da policia logo hoje?
-Você sabe que eu não sou uma ladra qualquer – sorri, de fato era verdade, eu nunca era pega e sabia exatamente o que fazer, eu cresci nesse meio e sei como me manter muito bem nele, não era um pivete desses que bate carteira, eu trabalhava para os grandes – minha mansão não me deixa mentir.
-Jogando na cara de um delegado seu contato com a máfia – ele disse sedutoramente, suspirei, odiava essas sensações mas não conseguia impedir – isso é uma confissão? Posso te prender bem agora.
-Você tá falando isso desde o inicio – revirei os olhos voltando a encarar o escuro a minha frente – faça então.
-Quero que você diga – ele elevou um pouco o tom de voz e se afastou novamente, arfei contrariada.
-Já não está muito claro? – era o máximo que falaria – você já chegou a conclusão correta sozinho, sei que não é burro pra que eu precise reafirmar.
-Mas eu quero ouvir da sua boca – ele parecia estar perdendo um pouco a paciência, mas eu não liguei.
-Deu pra romantismos agora, Joseph? Irreconhecível.
-Já falei pra parar com esse tom de deboche – ele se irritou de vez.
-Você que está querendo essas melação agora – me irritei também – então acho que fiz tudo a toa, você devia poupar nosso tempo e decidir logo o que vai fazer comigo, me prender ou me soltar, já que deu pra trás.
-Já que o que? – ele se irritou de verdade dessa vez.
Depois disso eu não entendi muito bem, já devia estar acostumada com aquele escuro mas o perfume dele me deixava completamente aérea, senti as algemas sumirem e nem pude apreciar o alivio que senti sem elas já que ele se apressava em me beijar, sorri entre o beijo.
-Achei que tinha saído do armário – ri.
-Veremos quem é gay – ele riu também terminando de me soltar.
Senti sua mão correr pela minha perna parando na parte de trás do meu joelho, peguei impulso entendendo o que ele queria e me prendi em sua cintura, Joe me carregou por um instante e eu me perguntei onde iríamos já que não tinha nada ali, ouvi o som oco das minhas costas batendo com uma certa violência na parede e arfei.
Ele me prendeu ali como se nossos corpos pudessem se tornar um só, me pressionou contra o seu corpo e desceu os beijos para o meu pescoço, me agarrei em seus cabelos como se minha vida dependesse disso, enquanto passei a outra mão pelo seu braço apertando o máximo que podia.
-Saudades? – ele perguntou vendo que eu me prendia a ele cada vez mais.
-Nem em sonho – sorri mordiscando a orelha dele fazendo-o arrepiar.
Joseph suspirou e voltou a me beijar com uma certa urgência, foi desabotoando a minha blusa enquanto beijava meu colo, voltou a minha boca depressa enquanto terminava de tirar a minha blusa, só afastei meus braços para ajuda-lo, voltando minhas mãos para a sua nuca logo em seguida.
Me soltou da parede em um movimento rápido e eu senti um pouco de frio, mas não liguei, passou a mão por toda a extensão do meu corpo e caminhou sem rumo mais uma vez, comecei a abrir seu uniforme sem ligar se estava parecendo desesperada, abri a camisa e senti que ele me colocou sentada em algum lugar, passei a mão e vi que era a mesa, ele se afastou e um clique iluminou um pouco mais a sala.
Pude vê-lo um pouco melhor agora, embora essa nova lâmpada também não fosse das melhores, céus, ele estava lindo, como sempre, sorria de forma provocante e seu cabelo estava bagunçado, caminhou lentamente até mim terminando de tirar o uniforme ficando apenas de boxer, mordi meu lábio inferior instintivamente.
-Mudou o cabelo oura vez?
-Awn, amor, você reparou?! – fingi um tom de esposa chata dona de casa que liga demais para a opinião do marido e ele riu.
-Sempre zombando das mulheres em geral – ele observou mantendo uma distancia torturante de mim – não devia.
-Não sou como elas – disse ainda sem entender o porquê de conversar bem agora – você sabe.
-Claro que sei – ele sorriu – uma mulher normal colocaria um vestido curto pra chamar a atenção, você assalta um banco.
-Não sou igual em vários outros sentidos – ri pra ele que retribuiu o que me fez parar de respirar por uns instantes – alguma outra mulher faria isso? – aproveitei que ele estava completamente desarmado e saltei rapidamente para o seu lado imobilizando o seu braço.
-Demetria – ele suspirou de dor e eu ri vitoriosa.
-Eu poderia te matar agora – eu ri vendo que a calça dele estava do meu lado com sua arma presa em um cinto – você sabe que eu sou melhor que elas, não sabe?
-Claro que…
-Então para de falar que eu não tenho o tempo todo – o interrompi e beijei sua nuca lentamente, soltei seu braço e o abracei por trás descendo os beijos, Joe relaxou e jogou a cabeça pra trás aproveitando o carinho.
-Você me assusta as vezes – se virou rapidamente me pegando pela cintura – eu gosto disso.
-Eu sei – sussurrei em seus lábios.
Ele riu fraco e voltou a me colocar sobre a mesa se deitando lentamente junto comigo, mal senti quando ele se livrou da minha calça, Joseph nunca foi de demorar muito nas preliminares, mas dessa vez ele parecia mais…romantico? Isso não fazia nem um pouco o tipo dele, e nem o meu, mas a saudade que eu estava dele, que eu nunca vou confessar em voz alta, estava tanta que eu deixei que ele guiasse tudo, não me importei, eu seria dele e prometi a mim mesma que seria a ultima vez, já que estava cada vez mais difícil manter sentimentos fora dessa nossa brincadeirinha.
-A propósito – ele sussurrou em meus lábios – você fica muito mais sexy morena – sorri e senti finalmente ele me tomando por inteiro.
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-Adeus, Joseph – sorri enquanto saia pela porta dor fundos tentando não transparecer que aquilo me afetava.
-Demi? – ele me chamou pelo apelido e eu parei imediatamente o encarei e ele tinha um olhar de dúvida – se cuida, tá? Não posso te deixar escapar de novo.
-Pode deixar – tentei sorrir – você nunca mais vai me ver.
Ele pareceu triste com aquilo, abriu a boca mas não disse nada, esperei alguns segundos mas ele se manteve calado, fui até ele, sem entender o porquê, eu só precisava fazer aquilo, e colei nossos lábios de forma calma, delicada, nunca no tratamos assim, tudo era sempre muito intenso, mas era como se fosse uma despedida, senti minha visão embaçar assim que abri os olhos e eu não choraria ali, não mesmo, então, sem dizer mais nada, eu me virei e saí correndo sem rumo tentando recuperar minha sanidade e entender o que estava acontecendo comigo.
Um ano, um ano sem vê-lo, um ano fingindo ser um anjinho para a policia, um ano sem cometer nenhum crime…num raio de menos de dez quilômetros dele, claro, e isso me torturava a cada dia.
-Finalmente, o mapa – Wilmer jogou um papel na mesinha de centro da minha sala, revirei os olhos.
-Desiste disso, não ta vendo que vai dar errado? – revirei os olhos e coloquei um pouco de vodka no meu energético, bem melhor assim.
-Demi, Demi – ele sorriu e se sentou a minha frente – eu te chamei pra trabalhar pra mim porque você era corajosa, algo mudou, amor?
-Não trabalho pra você – rosnei – muito menos sou seu amor – ele revirou os olhos – isso aqui é uma sociedade e eu sou obrigada a te mostrar que dará errado.
-É só mais uma joalheria, mais uma de várias outras, o serviço é o mesmo.
-Não – surtei um pouco sentindo o álcool passar pelas minhas veias – as outras lojas eram menores, entramos em horários em que não haviam clientes, essa rede de joalherias é a maior do país, com certeza não terá um horário sem ninguém.
-Faremos reféns – ele disse despreocupado – amo um drama.
-Quanto mais pessoas, menos chances de dar certo, será que você não percebe?
-A gente vai esperar esvaziar – ele fez um bico – no máximo uma ou duas pessoas, até cinco – se encostou no sofá – se der errado a gente dá um jeitinho nelas.
-Eu não mato – disse entre dentes, podia ter coragem pra fazer de um tudo nessa vida, mas nunca tiraria a vida de alguém.
-Sem problema, amor – ele me encarou sorrindo – eu faço isso por você.
Revirei os olhos, Wilmer fingiu que não percebeu e começou a me explicar o plano, absorvi só uma parte dele, aparentemente havia um anel em especial na loja avaliado em mais de cento e trinta milhões de dólares, e, bom, para um anel, isso é demais, não me interessa saber o porquê dessa fixação pelo anel, com certeza tem mais coisa por trás disso, suspirei.
-Tem uma parede de vidro blindado e dentro um mega sistema de segurança com um homem que o controla – explicou ele empolgado – você vai entrar na loja como se fosse uma cliente normal e eu vou entrar depois com os caras, iremos anunciar o assalto e te pegar como refém…
Ele terminou de me contar o plano e eu rolei os olhos, seria tranquilo, nada de muito difícil, a vida me ensinara a ser uma boa atriz, então.
Acordei naquela cinzenta manhã de sexta feira, está ali tão perto dele era um pouco assustador mas eu precisava fazer isso, já não aguentava mais essa distancia, era como se me sufocasse a cada segundo, como se alguém apertasse a corda em meu pescoço cada vez mais, imaginava ser impossível sentir isso por alguém, mas já não me surpreendo com esse sentimento.
-Tudo pronto? – Wilmer me perguntou enquanto eu terminava de me vestir.
-Tudo certo – afirmei ponto minha franja no lugar.
-Você está – ele me encarou atentamente e pareceu perder a fala, resolvi interrompe-lo.
-Você me disse que eu teria que parecer como as madames que frequentam a loja, então – expliquei minha roupa extremamente fina e sexy, eu estava incrivelmente perfeita, ri comigo mesma – vamos, não tenho o dia todo.
Descemos em silencio e entramos cada um em um carro, trocando olhares cúmplices, liguei o som no último volume e fui o caminho todo ouvindo AC/DC ao máximo, era como se cada acorde entrasse na minha corrente sanguínea me impulsionando a fazer aquilo, tudo estava indo bem, sem transito, sem nenhum aborrecimento e Wilmer estava confiante em conseguir o tal anel, parei em um sinal e pausei a musica discando um numero logo em seguida.
-Bom dia – sorri educadamente para a balconista que estava extremamente bem arrumada.
-Bom dia – ela retribuiu o sorriso – deseja alguma ajuda?
Olhei em volta e vi que a loja estava parcialmente vazia, um homem olhava algumas alianças e duas mulheres babavam em pulseiras, além disso três vendedores, a balconista e os seguranças, encarei o que estava dentro da porta blindada que Wilmer havia dito e ele sorria pra mim sugestivamente, pisquei pra ele e pude vê-lo se desmanchar, sorri por dentro, homens, sempre tão idiotas, voltei meu olhar para a simpática mulher ao meu lado.
-Gostaria de dar uma olhada em alguns – rodei meu olhar novamente – colares – conclui já que os colares ficavam próximos a porta, a mulher sorriu e chamou uma vendedora para me acompanhar e me auxiliar na escolha.
Enquanto a mulher discursava ao meu lado sobre o preço e as vantagens de cada pedra daquela eu pensava quando Wilmer entraria na loja, estava ficando sem argumentos e a vendedora estava achando que eu não levaria nada, finalmente o barulho da porta abrindo chamou minha atenção e eu o vi entrar super bem arrumado com outro cara, respirei aliviada mas logo fiquei tensa, uma senhora com uma criança entrara logo em seguida.
-Bom dia – pude ouvi-lo dizer, parou do meu lado analisando as joias.
-Tem uma criança aqui – cochichei já que o amigo de Wilmer distraia a vendedora.
-Algumas pessoas são azaradas – ele sorriu de leve e antes que eu pudesse dizer algo ele sacou uma arma e cochichou “que o show comece” – TODOS PARA O CHÃO, AGORA – em questão de segundos todos se jogaram de bruços no chão, inclusive eu – isso mesmo – ele sorriu vitorioso e deu um disparo em direção a balconista – eu disse no chão – repetiu e eu pude ver que ela sangrava, mas possivelmente não era nada fatal, tentei controlar a minha respiração quando vi o pequeno menininho me encarando assustado.
-Calma – sussurrei pra ele – fica perto da sua mãe, vai ficar tudo bem – outro disparo, mas que inferno ele pensa que está fazendo?
-Vai ficar conversando, mocinha? – ele falava comigo e eu quis rir da cara dele, em seu olhar eu via ele mostrando que não faria mal a criança e eu pude ficar mais calma – você sabe o que eu quero – ele falou com alguém mas estava longe do meu campo de visão, levantei um pouco a cabeça e o vi conversando com o segurança que estava atrás da porta blindada – apenas o anel e ninguém sai ferido.
O segurança pegou um telefone, possivelmente pra acionar a policia e Wilmer me agarrou pelo pulso prendendo-o atrás do meu corpo, apontou a arma para a minha cabeça e eu vi o desespero nos olhos do segurança.
-Liga para alguém e ela morre – ele alertou apertando mais a arma contra mim.
-POR FAVOR, MOÇO, POR FAVOR – comecei a gritar realmente parecendo desesperada – EU TENHO UM FILHO PRA CRIAR, EU NÃO POSSO MORRER – senti Wilmer sorrir baixo no meu ouvido.
O homem me encarou mais uma vez e o meu teatro realmente foi convincente porque ele soltou o telefone e digitou um código qualquer e a porta abriu, agradeci a ele e fui levada pra dentro da sala.
-ONDE ESTÁ? – Wilmer gritou, céus, por que gritar tanto?
-No cofre – o segurança parecia tranquilo mas um disparo chamou nossa atenção e eu virei meu olhar para a loja, não.
-A criança – soltei assustada.
-Ele estava rastejando – o amigo de Wilmer justificou, a mulher que estava com ele chorava desesperadamente, senti meu corpo desmoronar.
-MERDA – gritei irritada – CHEGA!
Me soltei dos braços dele em um movimento rápido e corri pra parte de trás de um balcão e saquei minha arma caso precisasse dela e fiquei olhando para o relógio, por que ele ainda não havia chegado?
-Demi – Wilmer me chamou – agora não é hora pra drama.
-Você me prometeu – disse entre dentes ainda encarando o relógio.
-Não fui eu – ele quase gritou. Cinco…
-Não me importo – quatro…
-Sai daí – ele disse sem paciência. Três…
-Ele morreu? – perguntei desesperada controlando as lágrimas. Dois…sorri.
-QUEM CHAMOU A POLICIA? – Wilmer se desesperou junto com seu amigo assim que os carros policias cercaram a loja. Um…e lá estava ele, sorri vitoriosa.
-A loja está cercada e vocês estão em menos numero – pude ouvir a voz de Joseph no auto falante e suspirei – é melhor se renderem.
-Eu não vou sair daqui – ouvi Wilmer cochichar e me levantei com o som do disparo, ele havia matado o segurança – foi você, não é, sua vadia? FOI VOCÊ QUE O CHAMOU.
-Eu não, não sou idiota – respondi irritada encarando o corpo do homem a minha frente – libere as pessoas e depois a gente escapa.
Wilmer se irritou e depois de uma longa negociação ele soltou os funcionários e os clientes, suspirei aliviada ao ver que o menino ainda estava vivo, olhei rapidamente pela janela da loja e estava tudo perdido, vários policiais estavam em volta e eu prendi meu olhar ao de Joseph, ele tentou sorrir mas acho que ele quis mostrar que dessa vez eu estava realmente encrencada.
-O que a gente vai fazer agora? – perguntei.
-Eu não sei, não deu tempo de abrir o cofre – Wilmer disse irritado – por que você chamou a policia?
-Eu não chamei ninguém – me irritei também e ele me deu um tapa no rosto me fazendo cair no chão.
-Prestem a atenção – Joseph disse do lado de fora – é melhor vocês se entregarem, não tem outro jeito – tinha um tom de preocupação – não nos obrigue a tomar uma medida mais grave.
-Claro que tem outro jeito – o amigo de Wilmer sorriu e eu o encarei sentindo o sangue escorrer pelo meu queixo, me levantei ainda meio tonta e desviei meu olhar para Joe desesperada, eu precisava sair dali – a saída de esgoto – o menino completou.
-Claro – Wilmer riu e eles saíram correndo – Demi – ele me chamou e eu o olhei – o que você tá fazendo, vamos embora.
-Não – eu sussurrei.
-O QUE? – ele perguntou incrédulo – vamos logo.
-Eu disse que não – reafirmei mais forte – eu vou me entregar.
-Demetria – ele se desesperou também.
-Vai logo, Wilmer, eu vou ficar – disse outra vez e ele se aproximou.
-TUDO ISSO EU FIZ POR VOCÊ – ele disse com lagrimas nos olhos e um olhar que me fez recuar, eu estava assustada só com seu jeito de me encarar – EU IRIA TE DAR ESSE ANEL, NÓS SERIAMOS FELIZES PRA SEMPRE JUNTOS – ele passou a mão pelo meu cabelo e eu dei outro passo pra trás – MAS VOCÊ NÃO COLABOROU, VOCÊ ME MAGOOU, DEMI – ele riu de leve, um sorriso medonho que contrastava com o rosto severo – AGORA VOCÊ VAI VER.
Ele apontou a arma pra mim e eu senti uma pontada logo em seguida, ergui meu olhar e vi quando os policiais entraram na loja, ouvi alguém me chamar e ergui meu olhar encontrando Joe desesperado me encarando, tentei sorrir mais uma lagrima caiu dos meus olhos.
-Demi – ele me sacudiu mas meus olhos estavam pesados demais para responder alguma coisa – NÃO – ele gritou e eu voltei a abri-los – isso, fica acordada, não dorme.
-Eu não – tentei falar mas não conseguia dizer nada, minha boca estava seca e eu sentia uma dor absurda no corpo, desisti de lutar, fechei meus olhos e me entreguei ao cansaço – eu acho que eu te amo – sussurrei e depois não ouvi ou senti mais nada.
Acordei com uma dor de cabeça absurda, tentei abrir os olhos mas fechei rapidamente, a luz daquele lugar, seja lá que lugar seja esse, estava forte demais.
Me forcei a pensar onde estaria e lembranças inundaram a minha cabeça fazendo a dor piorar, ótimo, apertei mais meus olhos e um “PI PI PI “ constante me chamou a atenção, um hospital, tiro, Wilmer, assalto…Joeph. Isso me fez abrir os olhos e a luz ainda estava lá, gemi desconfortável e olhei em volta, sim, um hospital.
-Que bom que acordou – uma mulher que eu deduzi ser a enfermeira sorriu pra mim – seu namorado liga de cinco em cinco segundos pra saber como você tá.
-Namorado? – perguntei assustada.
-É – ela ainda sorria – ele passa as manhãs aqui, e algumas noites, daqui a pouco ele deve estar chegando.
-Espera – um pânico me consumia – qual é o nome dele? – por favor não diga Wilmer.
-Desculpa, querida, eu não me lembro – ela fez uma careta – mas eu vou chamar o doutor para tratarmos dessa perda de memória.
Assim que a moça saiu eu senti meus olhos pesarem de novo, mas eu não queria dormir, eu queria saber quem era, eu precisava dizer que Wilmer não era nada meu, e eu ainda corria o sério risco de ser levada para a cadeia assim que saísse dali, senti meus olhos se fecharem e minha cabeça latejar algumas vezes e quando estava prestes a dormir de novo, ouvi novas vozes.
-Como ela tá? – um homem perguntou e eu achei que fosse Joe, esses remédios todos devem estar me deixando maluca, ou é um sonho, me concentrei na conversa.
-Ela acordou hoje mas eu tive que dar outros remédios pra ela voltar a dormir – a mulher explicou – ela não se lembra de você.
-C-como? – o homem pareceu desesperado e a minha mente ainda me fazia confundir a voz dele com a de Joseph.
-Ela disse que não tem namorado e até pareceu assustada com a ideia – explicou a enfermeira.
-Ah, isso – pude senti-lo aliviado – ela não é minha namorada.
-Não? – agora a enfermeira parecia muito surpresa.
-Não – o rapaz suspirou – ainda – disse e eu quis sair correndo dali.
-Tá estampado no seu rosto que a você a ama.
-É, eu sei – ele riu e eu me desesperei de verdade, com certeza não era Joseph, ele não me ama, me mexi e abri os olhos mas aquela maldita luz me cegou por alguns segundos.
-Shi, calma – a enfermeira arrumou minha cama para que eu ficasse parcialmente sentada enquanto eu estava de olhos fechados tentando afastar a dor – ta sentindo alguma coisa?
-Muita dor de cabeça, e no corpo – expliquei – essa luz não ta ajudando muito.
-Pode abrir os olhos – ela disse e eu senti que o ambiente estava mais escuro, foi um alivio, encarei minhas mãos e fui levantando o olhar aos poucos, vi a luminária no canto do quarto e a enfermeira me olhando com o mesmo sorriso de sempre, que chato, virei o rosto e senti como se esmagassem meu pulmão, já que não conseguia respirar – vou deixar vocês dois sozinhos.
-O que você ta fazendo aqui? – minha voz saiu extremamente fraca e eu me surpreendi com isso.
-Tenho que tomar conta pra você não fugir – Joe se desprendeu lindamente da parede onde estava encostado e veio até mim com aquele sorriso que me desmancha – saindo daqui direto para a cadeia, e dessa vez não tem mais jeito.
-Imaginei – suspirei e me ajeitei na cama sentindo meu corpo doer mais, reprimi um gemido e respirei fundo – quanto tempo eu pego?
-Se tudo der certo – ele riu – pra sempre.
-Pra sempre? – ri – aham.
-Você acha que sua pena vai ser leve? Você aprontou muito nessa vida.
-Ok, Joseph – fingi que aquilo não me preocupava – e o menino? Como ele tá?
-Tá bem, estão todos bem, você foi a que mais se machucou – ele explicou – e o segurança, claro, que morreu.
-E Wilmer?
-Está preso – disse normalmente – o outro rapaz fugiu, mas já o rastreamos.
-Hum – foi só o que eu disse, o clima entre nós estava pesado demais, ficamos em silencio por um bom tempo até que a enfermeira retornou com um homem ao seu lado.
-Demetria Devonne Lovato – ele disse serio e eu concordei com a cabeça – achamos que você não iria resistir – ele observou os aparelhos do meu lado e eu senti Joe se encolher – mas agora que você está se recuperando, creio que daqui há duas semanas você estará em casa.
-Duas semanas? – revirei os olhos – ok.
-Bom, prepare o medicamento dela – ele disse para a enfermeira – qualquer coisa me chama – falou pra mim dessa vez e eu assenti – até mais tarde.
Os dois saíram  e eu encarei Joe irritada.
-Que? – ele levantou as mãos quando viu meu olhar.
-O que você quer? – rosnei – eu não vou fugir, não vou sair correndo, que droga, pode ir fazer o que você quiser, eu me entreguei no assalto e não vou dar pra trás.
-Você acha que eu tenho motivos pra confiar em você? – ele ergueu uma sobrancelha e riu irônico.
-Faça o que você quiser, Joseph – disse entre dentes, como ele me tira do sério – eu já to acostumada com a ideia de ficar na cadeia – sorri de canto, claro que eu não ia ficar a minha vida toda lá, doce ilusão dele.
-Eu sei que você vai dar um jeitinho de fugir de lá – ele riu ecoando meus pensamentos – por isso você terá uma prisão diferente.
-Como assim?
Não tive tempo de perguntar direito, ele me roubou um beijo intenso e eu reprimi um resmungo de dor quando ele passou o braço pela minha cintura, não queria que ele parasse mesmo que minha cabeça latejasse mais ainda agora.
-Sua prisão será do meu lado – ele sussurrou em meus lábios me olhando nos olhos, sentia a respiração ofegante dele em meu rosto e seu hálito me deixava tonta, tentei sorrir mas ainda não entendia direito o que aquilo queria dizer – quero que você aceite ser minha pra sempre – ele continuou – presa a mim – fez um trocadilho e eu senti lágrimas nos meus olhos, ele se afastou repentinamente levando a mão até a nuca – droga, Demi, eu quase morri quando entrei naquela loja e te vi sangrando daquele jeito e – ele se interrompeu – eu percebi que não suportaria te perder.
-Joe – sussurrei – todo mundo viu que eu sou uma criminosa, todo mundo, isso vai afundar a sua carreira – me desesperei.
-Todo mundo acha que você era uma refém – ele disse – todas as testemunhas falaram isso – lembrei que o único que sabia a verdade era o segurança, encarei ele ainda assustada – será o nosso segredo.
-Eu não sei – disse baixo.
-Demi – ele pediu e eu desmanchei com seu tom de voz – por favor.
-Eu – tentei me fazer de forte mas não conseguiria, por ele eu mudaria, por ele eu andaria na lei, por ele, só por ele, eu seria dele pra sempre – é claro que sim – disse por fim, sorrindo, e ele voltou pra perto de mim e me beijou com a mesma vontade de antes.
Dois meses depois, de tanto discutir eu dei meu braço a torcer, moraríamos na casa dele, Joe não quis a mansão nem nada que eu tinha conseguido de forma ilegal, então doei todo meu dinheiro e tudo que eu tinha, parei em frente aquele prédio que não era tão ruim, afinal, ele não era pobre, mas perto do que eu tinha era como uma casinha de sapê, mas mesmo assim eu me sentia feliz como nunca.
-E então? – ele perguntou pegando a ultima mala do carro e pondo no chão – acho que não é tão ruim assim.
-É perfeito – sorri pra ele e sai do carro.
Joe jogou minhas malas no chão e sorriu malicioso pra mim, ergui uma sobrancelha e ri.
-Que foi?
-Saudades – ele assumiu e me prendeu pela cintura – muita saudades – ele sussurrou em meu ouvido e eu me arrepiei.
-Eu diria desespero – passei minha mão por suas costas e as coloquei dentro do bolso de trás de sua calça jeans – está na seca, delegado?
-Pois é – ele arfou quando eu o puxei mais pra perto – a única que podia me ajudar nisso estava de cama – ele fez um biquinho.
-Que triste – eu ri e mordi o biquinho dele – acho que agora ela pode dar um jeito nisso.
-Eu sei que pode – ele sorriu e me beijou intensamente.
Senti sua mão passear pela minha cintura e liberei as minhas de seu bolso passando por dentro de sua blusa arranhando de leve, ele retraiu os músculos com o toque e suspirou entre o beijo, eu ri do desespero dele quando senti que estava em seu colo, ele apertava fortemente minha perna e eu passei meus beijos para seu pescoço e senti ele relaxar aos poucos, nos sentamos no sofá e ele passou a mão pelas minhas costas tirando a minha blusa logo em seguida.
Parti o beijo quando ouvi um clique e senti uma pressão no meu pulso.
-Ah, não – reclamei.
-Algumas coisas nunca mudam – ele me mostrou a chave das algemas e riu sedutoramente e eu concordei com a cabeça, eu estava com ele, eu estava feliz, e só isso importava.

E aí ? O que acharam ? Comentem!

5 comentários:

  1. ameiiiiiiii muitoooooooooo perfeitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  2. Adorei seu blog descobri ele hoje e vou seguir :)

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    1. Poxa, valeu (: Adorei seu icon, sem palavras.

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  3. mais perfeito não há, amei 'JEMI UM AMOR BANDIDO"

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