segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Love Is Treacherous - Parte 2


Pude ver um par de gordas perninhas entrando no meu ateliê, ajeitei meus óculos e ela sorriu pra mim, muita coisa mudou desde aquela noite com Joseph, quase dois meses depois comecei a sentir enjoos e tonturas, fiz vários testes e todos comprovaram o que eu mais temia, estava grávida, estava grávida dele, o que era pior.
Não o procurei, nunca mais o vi, não queria o dinheiro dele, só queria dar para a minha filha o que eu nunca tive, resolvi, por ela, voltar a lutar pelo meu sonho, resultado, hoje eu sou dona de uma das maiores confecções de roupa feminina da América, tenho lojas de departamento em todo o país e dou a minha filha tudo que ela precisa.
É bem verdade que desde então eu não sei o que é ir a uma festa, mas isso não me faz falta, na verdade, a única coisa que eu sinto falta é dele, e eu não preciso ficar negando, quatro anos se passaram e ele ainda é responsável por me causar calafrios quando eu vejo uma foto ou reportagem.
Até onde eu sei ele está bem, mas não sabe o que eu fiz com a minha vida, não sabe que tem uma filha e não sabe que eu sou dona da rede de lojas mais famosa do país, e nem nunca vai saber, sinto falta dele mas minha filha me completa.
-To com fome – aquela voz de criança que eu tanto amava preencheu a sala, sorri instintivamente – você prometeu que a gente ia almoçar fora.
-Já estou indo, meu amor – me levantei e a peguei no colo – vamos tomar um banho, vou separar uma roupa linda pra você.
Saímos de casa e fomos até o restaurante favorito dela, nos sentamos na mesma mesa de sempre e um casal com um filho que devia ter a mesma idade dela se sentou na mesa ao lado.
-Mamãe – Luíza me encarou com seus olhos cor de mel, como os do pai – quem é meu papai?
Eu me preparei bastante pra esse momento, mas o olhar que ela lançava sobre a família ao nosso lado me encheu de pena, eu diria que um dia ela conheceria, mas não podia privar a minha filha disso, eu cresci sem saber quem é o meu pai, eu não vou fazer o mesmo com ela.
-Eu prometo que você vai conhecê-lo – eu disse sorrindo pra ela tentando passar confiança.
Ela almoçou toda tristinha e foi pra casa com a mesma carinha, aquilo estava cortando meu coração, eu estava sendo egoísta, na verdade, quem não estava pronta pra vê-lo era eu e não ela, suspirei e peguei meu celular, liguei pra Miley e pra Nicholas convidando-os para passar o dia comigo e com a Lu.
-TIA MILEY – Luíza correu para abraçar Miley.
-Princesa – ela a pegou no colo, eu observava tudo de longe, Nick fingiu estar com ciúmes e ela pulou no colo dele, ele era a imagem de pai que ela tinha.
Percebi que Nick estava com a Lu na sala jogando vídeo game e chamei Miley pra conversar, fomos até meu ateliê e nos sentamos no sofá.
-Que foi? Sua mãe quer mais dinheiro? – ela perguntou debochando.
-Não – respondi séria mostrando que não queria brincadeira agora – acho que chegou a hora.
-De? – Miley perguntou confusa.
-Preciso procurar o Joseph pra falar sobre a Lu – despejei tudo de uma vez.
-Tem certeza? – ela perguntou.
-Sim, me ajuda?
Assim que eu comecei a ter lucro com a moda, investi pesadamente no sonho de Miley, usei ela como modelo para as minhas roupas e contratei os melhores produtores pra ela se tornar uma cantora de sucesso, com o talento e carisma que ela tem, decolou rápido, ela diz que Joseph não lembra dela, ela já encontrou com ele algumas vezes por serem da mesma idade e terem o mesmo publico, mas ele nunca disse nada.
-Claro, eu posso entrar em contato com ele – ela disse sorrindo e me abraçou – eu to aqui com você, sempre.
Sorri, ela e Nick eram a minha família, e claro, agora eu tinha a Lu, não tinha espaço pra Joseph na minha vida, mas era necessário e eu faria de tudo pela minha princesa.
Passamos a tarde juntos assistindo filmes infantis e brincando com Luíza, Miley e Nick foram embora e eu subi as escadas para por minha filha pra dormir.
-Mãe – ela chamou manhosa, me aproximei da cama dela e coloquei sua franjinha para o lado, seu cabelo, liso e escuro, estava sempre caindo no olho – como é meu pai?
Não pude deixar de sorrir, na hora lembrei dele, do sorriso, do jeito, do olhar, do cheiro, de tudo.
-Ele é um bobo – comecei – não consegue ser sério com nada, ele é irritante e impaciente, se acha o dono do mundo e o cara mais idiota que existe – parei quando me dei conta de que ela era uma criança – enfim, ele é muito legal.
-Ele é bonito? – ela perguntou cheia de interesse.
-Sim, muito – suspirei – você se parece com ele.
-Tia Miley disse que eu tenho seu sorriso.
-Acho que o seu é bem menor – ri com ela e a cobri, acendi o abajur e caminhei até a porta.
-Mãe – ela me chamou de novo e eu me virei – só mais uma coisinha – fez uma carinha engraçada.
-Fala, meu anjo.
-Você gosta dele?
Meu coração parou.
-Eu o amo – disse, pela primeira vez confessei aquilo em voz alta.
-Seremos uma família linda – ela comemorou – mal posso esperar para conhecê-lo.
Sorri para ela e apaguei a luz do quarto e fui para o meu, também estava ansiosa por esse encontro.
Não sabia quando Miley iria ter com Joseph, mas sabia que não demoraria, tinha medo da reação dele e isso me atormentou durante todo o dia, passei a tarde assistindo desenho com Luiza, resolvi descer quando vi que ela estava dormindo, fui até a cozinha fazer um lanche quando o interfone tocou.
-Demetria Lovato – disse enquanto mordiscava uma maçã.
-DEMETRIA, POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU? – aquela voz, aquela voz me fez pirar, tentei manter a calma.
-Joseph – eu disse.
-Demi, eu tentei acalma-lo – Miley dizia desesperada.
Abri o portão e desliguei o interfone, não tinha nada mais a ser feito, não tinha como adiar, em segundos a visão que eu tanto esperei estava ali, na minha sala, vermelho e espumando de raiva, o amor da minha vida me odiava.
                -ME DIZ QUE É MENTIRA – ele gritava, tive que controlar meus impulsos para não agarrá-lo.
                -Por favor, não grita – eu pedi tentando lutar contra as lagrimas – eu te explico tudo.
                -Explicar o que? –ele perguntou um pouco mais calmo – que você quer me dar o golpe?
                -Tá vendo – tentei mostrar que aquelas palavras não me feriram – é por isso que eu não te contei – respirei fundo – olha a sua volta, parece que preciso de seu dinheiro?
                Ele ficou quieto de repente, Miley observava a tudo em silencio, nos encaramos por um tempo, meu coração parecia que iria saltar pra fora do meu peito, ele estava tão lindo, tinha as feições de um homem, mas ainda trazia aquele olhar de menino que eu conheci.
                -Por que você não me procurou? – ele perguntou calmo.
                -Agora que eu tenho tanto dinheiro quanto você, você ainda acha que eu quero te dar o golpe, imagina se eu te procurasse na época em que eu era uma pobre gerente de lanchonete? – disparei, pude sentir uma lágrima se formar, tarde de mais, choraria na frente dele.
                -Eu quero vê-la –ele disse – e vamos fazer um teste de DNA.
                -Como você quiser – eu respondi – mas não a abandone, você não sabe como ela vive falando de você, como ela necessita de um pai, não faça por mim, e sim por ela.
                Ele fez que sim com a cabeça e eu me virei para chamá-la, me deparei com um par de olhos cor de mel me encarando no topo da escada, quando percebeu que eu estava chorando correu até mim atrapalhadamente com sua pantufa de coelhinho e pulou no meu colo.
                -Tá tudo bem, princesa – eu disse fazendo um carinho no cabelo dela.
                -Por que vocês estavam brigando? – ela quis saber, encarou Joseph e ele começou a chorar assustadoramente, se deu conta de que não precisaria de exame, ela era idêntica a ele.
                -Não foi nada, meu amor – eu respondi.
                -Ele é meu papai? – perguntou com toda a inocência infantil.
                -Sim – disse em tom embargado.
                -Mas você me disse ontem que o amava – gelei – por que está chorando?
                Joseph me encarou surpreso, em meio as lágrimas eu pude vê-lo esboçar um meio sorriso, que me deixou confusa, coloquei Luiza no chão e me agachei para olhá-la nos olhos.
                -É porque eu estou feliz – eu disse sincera – agora vai lá abraçar seu pai.
                Ela olhou pra Joseph como se pedisse permissão, ele apenas ajoelhou e abriu os braços, ela correu até ele e o abraçou forte, essa foi a cena mais linda que eu já vi em toda a minha vida, nunca pensei que veria isso um dia, a felicidade dos dois era notória, Miley chorava baixo no canto da sala e eu admirava apenas, desejando uma coisa impossível, que pudesse ver essa cena todos os dias.
                -Bem que a mamãe me disse que você era bonito – Luiza se afastou de Joseph que me lançou um olhar neutro.
                -Sorte que você se parece comigo – ele brincou ainda com lagrimas nos olhos.
                -Ela disse isso também – Luiza riu e ele a olhou confusa – que você era convencido.
                -Interessante – ele afirmou – gostaria de saber o que mais a sua mãe disse sobre mim.
                -Ah, ela disse – Luiza começou.
                -Eu não disse mais nada – eu sorri sem jeito, por que as crianças hoje em dia são tão espertas?
                -Disse sim, mamãe – ela se virou pra mim depois voltou a encarar o pai – ela disse que te ama.
                Miley soltou uma gargalhada e eu corei bruscamente, não sabia onde me esconder, ele me encarou e se levantou vindo em minha dieração.
                -Achei que não gostasse de se prender a ninguém – disse sarcástico.
                -Eu não mudei – menti – está vendo algum homem aqui?
                -Sei que você não é mais a mesma – ela olhou todo o meu corpo – gosto de mudanças.
                Não pude deixar de sorrir, esse era Joseph.
                -Pode mandar seus advogados entrarem em contato comigo – disse tentando ignorar a proximidade – faremos o exame de DNA e resolveremos a questão da guarda, se você estiver interessado.
                -Continua dando uma de durona – ele sorriu, ah, aquele sorriso.
                -Continua dando um de pegador – retruquei mantendo a pose mesmo desmoronando por dentro.
                -Eu acho que valeu a pena chorar todos esses anos por você – ele se desarmou e me pegou de surpresa, sorri por instinto – ganhei em dobro – ele encarou Luiza que estava no colo de Miley – tem lugar na sua vida para um idiota, machista, sem sentimentos e filhinho de papai? Eu não aguento mais um segundo sem você, Demi.
                Eu tinha minha resposta pronta, todas as vezes que eu idealizei esse momento na minha cabeça eu dizia um duro e sonoro não, minha cabeça entrou em conflito com meu coração, eu sabia o que fazer, eu sabia, mas ele estava tão perto.
                -Sempre – sussurrei já em seus lábios e me entreguei ao que tanto me fez falta, minha vida era estar com ele, ele me completava e ninguém mais, foi um idiota, mimado e machista que me fez acreditar no amor, e é por ele e pela minha princesa que eu vou sorrir todos os dias.

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