segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Love Is Treacherous - Parte 1


-Ouou, onde você pensa que vai? – minha mãe perguntou me encarando.
-Não estou pensando, eu vou – respondi sem dar importância – por que? Resolveu se importar agora? – não pude perder a oportunidade de alfinetá-la, ela nunca foi uma mãe exemplar, na verdade, nunca foi minha mãe.
-Só não volte grávida – ela disse seca e voltou a encarar a TV.
-Pode deixar – respondi no mesmo tom – não vou fazer como você.
Saí batendo a porta, minha vida era um inferno, mas por que não dançar com o capeta? Sorri sozinha, sou gerente de uma lanchonete bem fuleira , mas o salário é suficiente só pra mim, eu apenas divido as contas e a casa com a minha mãe, fora isso, cada uma tem suas coisas e sobrevive do seu jeito, não me pergunte o que ela faz pra comprar as coisas dela, não nos falamos muito, na verdade, nunca conversamos.
Ela engravidou de mim com dezoito anos e meus avós a expulsaram de casa, não sei quem é meu pai e não sei porque ela não abortou, já que vive jogando na minha cara que devia ter feito isso, só sei que aqui estou eu, levando a mesma vida que ela levava, tirando a parte que eu me considero bem mais responsável que ela, quer dizer, estou prestes a completar meus vinte anos e não apareci com um bebê em casa e nem tenho nenhuma doença sexualmente transmissível, mas digamos que eu curto a minha vida ao extremo.
                Entrei no meu carro e dirigi até a boate, todos falavam bem desse lugar e eu sempre quis ir, mas é coisa de primeira linha, nada comparado aos buracos que eu e meus amigos costumamos a frequentar, nós economizamos por meses e meses para ir nessa casa de festa, precisávamos beber bem e ver gente bonita, quem sabe não me arranjo com um homem rico por lá?
                Dei risada com esse pensamento, a última coisa que eu quero é me amarrar a alguém, até porque, eu não acredito no amor, pode até dar certo pra algumas pessoas, mas não pra mim, acho tudo besta e superficial demais.
                Do subúrbio até a parte rica da cidade demorava um pouco, mas a mini viagem valeu a pena quando eu vi a fachada da boate, garotas lindas e estilosas desfilavam de um lado para outro, os meninos eram perfeitos e eu já estava escolhendo meu alvo quando vi meus amigos, quer dizer, não são muitos amigos, são dois, que eu tenho como irmãos, crescemos juntos e eles são tudo que eu tenho.
-Que demora – Nicholas reclamou quando me viu, soltou Miley e caminhou até mim me abraçando apertado, eles namoravam desde pequenos e são os únicos que seriam capazes de me fazer acreditar no amor, eu nunca vi casal tão perfeito como esses dois.
-Estava decidindo a minha roupa, estamos no meio da alta sociedade, não posso fazer feio – me soltei do abraço e sorri – como estou?
-Perfeita – Miley sorriu pra mim – como sempre.
Dei outro sorriso em resposta, ela me entregou a pulseira para entrarmos na boate, as garotas usavam roupas maravilhosas, com cortes e modelagens perfeitos, mas meu vestido não ficava atrás, eu o desenhei e confeccionei, ser estilista sempre foi meu sonho, mas fui crescendo e aprendi com a vida que gente como eu não pode sonhar tão alto.
-Meu Deus – gritei por conta da musica alta – o dinheiro mais bem gasto da minha vida!
-Isso aqui é melhor do que eu imaginei – Miley gritou em resposta enquanto deslumbrava a tudo com seus lindos e cintilantes olhos azuis – vamos dançar – ela nos puxou para a pista de dança.
Começamos a dançar feito loucos, depois de umas cinco músicas o DJ resolveu tocar algo mais lento e romântico, odeio coisas assim, acho que em boate ninguém é de ninguém, Nick e Miley trocaram olhares e sorrisos, bufei.
-Vou beber qualquer coisa – disse me virando e pude ouvir Miley pedindo para eu não exagerar.
Ignorei e fui até o bar, as coisas eram absurdamente caras mas todas de primeira qualidade, peguei uma bebida que não fosse tão forte, não pretendia ficar bêbada, quero me lembrar dessa noite, paguei uma fortuna pra estar aqui.
Resolvi caçar um banheiro, precisava arrumar meu cabelo que desmontou um pouco enquanto eu dançava, andei por todos os lugares e não achei o bendito banheiro, encontrei uma escada com um segurança na entrada.
-Ei, onde é o banheiro? – perguntei, mas o idiota encarava meu decote descaradamente, empurrei ele para o lado e subi as escadas irritada.
Quando eu cheguei ao topo da escada todos me encararam, demorei um tempinho pra assimilar tudo e percebi que estava em uma espécie de camarote, uma área vip, a música não era tão alta lá, algumas pessoas dançavam, outras conversavam e riam com seus drinks sofisticados e coloridos nas mãos, ali eu me sentia deslocada, não pela roupa, mas pelo ar de superioridade que todos ostentavam, eles me encaravam como se eu não fosse do mesmo patamar que eles, de fato não era, não era pra eu estar ali, me virei repentinamente e trombei com um menino que subia as escadas.
-NÃO ENXERGA NÃO, GAROTA? – ele gritou comigo como se tivesse muita moral sobre mim, tentei não me irritar facilmente, fechei os olhos e respirei fundo, o que era difícil pra mim por que eu sou muito estressada.
-Me desculpa – sorri sínica.
-Desculpas não tira a mancha que essa bebida sua fez em mim – ele revirou os olhos, seu ar superior me enojava, que garoto idiota.
-E você quer o que? Que eu limpe com a língua? – estourei, tudo bem que a jaqueta que ele usava devia custar mais do que meu carro, mas eu não podia deixa-lo me tratar dessa forma.
-O que? – ele se mostrou ofendido, riu sem humor pra mim – você sabe com quem você está falando?
Frase típica de filhinho de papai riquinho e mimado, acho que vou vomitar.
-To falando com um garotinho mimado que está bravinho por que sujou a jaquetinha – fiz uma voz de criança – mas não se preocupa, seu papai pode comprar outras milhões como essa.
-Você não me conhece? – ele perguntou baixando a guarda, o que me pegou de surpresa – eu sou o Joe Jonas.
Esse nome não me era estranho, mas eu não o conhecia, as sobrancelhas grossas, os olhos cor de mel, aquele cabelo bagunçado, admito, se não fosse tão almofadinha seria irresistível, mas ele não faz meu tipo, bobinho demais e um tanto infantil.
-É mesmo? – perguntei mostrando a ele que eu não fazia ideia do que ele estava falando.
-Não é possível – ele parecia um pouco desapontado – Joseph Adam Jonas.
-Prazer – disse com um sarcasmo invejável – Demetria Devonne Lovato.
Ele revirou os olhos como se não acreditasse no que eu estava dizendo, mas eu que não entendia, quem era esse menino? Só o nome dele me fazia algum sentido, mas seu rosto, parei para avaliar de perto quando um outro rapaz se aproximou.
-Não perde tempo, hein, Joseph – eu encarei pra ver de quem era aquela voz e me surpreendi, eu não tinha tempo para assistir TV, nem nada parecido, ouvia músicas eletrônicas e não tinha nenhuma ligação com a cultura pop, mas não saber quem é Zac Efron seria uma afronta, e o próprio estava na minha frente.
-Você conhece ele e não me conhece? – o tal Joseph perguntou percebendo meu olhar para Zac.
-Ela não te reconheceu? – Zac perguntou e Joe confirmou com a cabeça – em que mundo você vive, gatinha?
-No mundo onde eu trabalho mais do que respiro – disse com raiva.
-Não precisa ficar tão na defensiva – ele retrucou com um sorriso bobo nos lábios – escolheu uma garota encrenca, hein, Joseph.
-Eu não sou uma encrenca – ok, talvez eu seja.
-Eu não escolhi ela – Joseph disse sério – essa infeliz derramou a bebida dela em mim.
-Infeliz é o teu – me controlei para não xingar – enfim, já pedi desculpas, eu tenho que ir.
-Mando a conta da lavanderia pra você – ele disse sínico.
-Você nunca mais vai me ver na vida, idiota.
Saí dali irritada, desci as escadas bufando, fui até a pista de dança e nada de Nick e Miley, ótimo, agora teria que procura-los, andei, andei e achei o banheiro que ficava no final da boate, depois da pista de dança, revirei os olhos, entrei e arrumei meu cabelo, retoquei a maquiagem e peguei meu celular e vi uma mensagem da Miley dizendo que estaria no bar, fui até eles ainda de cara amarrada.
-Ei, o que aconteceu? – Miley perguntou, era incrível como ela me conhecia bem.
-Nada – disse irritada – só um idiota que fez um escândalo comigo porque eu derramei bebida na jaqueta dele sem querer.
-Ai meu Deus – Nick debochou – com certeza os advogados dele vão te procurar – nós rimos juntos, todos ali dentro eram do mesmo tipinho.
-Você arrumou confusão com ele, Demi? -  Miley perguntou séria.
-Não – menti mas vi que ela não acreditou – tipo, eu só respondi um pouco por que eu não vou deixar que pisem em mim, e outra, eu tinha motivos pra estar brava, foi totalmente sem querer e com o preço que eu paguei na bebida eu comprava aquele aparelho de som para o meu carro.
Exagerei bastante apenas para dar emoção a minha raiva, só de lembrar da cara do tal Joseph eu sentia um ódio incontrolável, tive a sensação de ouvir a voz dele próxima a mim e revirei os olhos.
-Demetria, não é? – a voz ficou mais próxima e eu tive certeza de que era ele.
-O que é? – me virei pra ele irritada.
-Joe Jonas? – ouvi o tom assustado de Miley atrás de mim.
-Você conhece ele? – eu perguntei incrédula.
-Demi, nós acabamos de dançar um remix de uma música dele – Miley disse como se parecesse óbvio.
-Então você gosta da minha musica – ele sorria de um jeito irresistível.
-Eu nem sabia que você cantava, imbecil – respondi, não sei o porquê mas ele me irritava demais – dancei porque, se você não reparou, estamos em uma boate e as pessoas costumam dançar.
-Ou derrubar bebida nas outras – ele me alfinetou e a minha raiva aumentou, respirei fundo e contem até dez.
-O que você quer? – perguntei impaciente.
-Suas desculpas não foram o suficiente – ele disse ainda com um sorriso besta no rosto – e mandar a conta da lavanderia não seria cavalheirismo de minha parte.
-O que você quer então? – refiz minha pergunta impaciente.
-Uma dança – ele disse sonso.
-NEM PENSAR – eu gritei em resposta.
-Por que eu te deixo tão nervosa?
-Você se acha – passei por ele, minha musica favorita estava começando a tocar e dança-la naquela boate seria perfeito, mas o idiota do Joseph me puxou pelo braço.
-Uma dança – ele disse – ou a conta na lavanderia.
Mesmo não o conhecendo, sabia que ele estava falando sério, e pagar uma conta na lavanderia não seria legal, sabe como é, mexer com pobre é mexer no bolso, revirei os olhos e soltei meu braço indo em direção a pista de dança, ele entendeu o recado e me seguiu.
Até então ele estava me provocando com os sorrisinhos e a ironia, era a minha musica favorita, era o que eu precisava pra dar o troco, sorri sozinha e me virei pra ele.
-Vamos ver se você aguenta – sussurrei no ouvido dele e dei uma leve mordida, pude vê-lo estremecer, pois é, Joseph, eu sou profissional nisso, tá no meu sangue.
Em qualquer outra festa eu já estaria com o quarto cara, bêbada e acabada, era assim que eu extravasada a minha vida infernal, em festas, bebidas e homens, já estive com todo os tipos deles e posso dizer que sei como deixar qualquer um louco, esse mauricinho iria sofrer na minha mão, quero que ele se arrependa de ter gritado comigo.
Comecei a me mover lentamente me distanciando dele, vi que ele não resistiu em dar uma olhada em todo o meu corpo, qualquer garota ficaria corada com isso, mas eu não ligo, gosto até, parecia que aquele mar de pessoas não existia, estávamos apenas nós dois na pista, e que o jogo comece.
Sorri provocante e mordi o lábio pra ele que ainda me olhava com cara de idiota, acho que ele só tem essa cara, até seria interessante dar uns pegas nele, mas parece ser do tipo que eu terei que ensinar tudo, falo isso porque, qualquer um no lugar dele me agarraria por muito menos, mas ele não, só me olha, me olha com desejo, mas apenas isso.
Comecei a dançar de forma mais provocante, percebi que outros garotos me olharam mas não liguei, sabia o que estava fazendo, rebolei sensualmente e olhei pra ele da forma mais fatal que pude, ele só sorriu, SÓ sorriu, ele é gay, só pode ser gay, já estava desistindo de seduzi-lo e aceitando a conta da lavanderia quando um outro garoto de aproximou de mim pra dançar comigo.
Senti alguém puxando meu braço e vi que era Joseph, encarei ele com raiva.
-É a minha dança – ele deu ênfase na palavra minha e eu revirei os olhos.
-Você é um gay – despachei de uma vez e soltei meu braço.
-Você que não se dá ao respeito – ele disse sério.
-É mesmo, pai? – ironizei – não enche – me virei tentando sair dali.
-A música não acabou – ele me puxou pela cintura, devo admitir que o engomadinho tem pegada, se ele não me deixasse tão irritada….
Expulsei esses pensamentos da minha cabeça e resolvi dançar com ele, mesmo sendo como dançar com um cabo de vassoura, ele manteve a mão na minha cintura e sorria como o idiota que ele é, me virei de costas e voltei a provocá-lo o máximo que eu conseguia.
Dançamos mais algumas musicas e ele começou a se soltar, mas não deixei meu plano de lado, iria até o final, esse Joseph iria suplicar por mais, ele me segurava firme pela cintura e tentava guiar meus movimentos, ignorei deixando claro que aquele ali era o meu território, eu sabia como agir e ele não ia mandar em nada.
Subitamente ele me puxou pelo braço e saiu me carregando pela pista de dança, tentei gritar com ele mais fui ignorada, esse é o lado ruim de ser baixa, na verdade, qual é o lado bom? Ele me carregou até a porta dos fundos e nós saímos da boate.
-Você tem sérios problemas, garota – ele disse irritado.
-Não entendo por que você está assim – provoquei – sei que você estava gostando – sussurrei nos lábios dele, ele me puxou pela cintura e tentou me beijar mas eu desviei – teve sua dança, boa sorte com a jaqueta.
Me livrei dos braços dele e tentei sair, mas ele me puxou pelo braço e me segurou bem forte, é, ao que parece ele está virando homem.
-Por que você me provocou  daquele jeito? – ele perguntou sussurrando, espera, que pergunta é essa?
-Acredite, não é só com você que eu faço isso – cortei, não queria que ele pensasse que eu estava afim dele.
-Nossa, que dama – ele ironizou.
-Deixei claro desde o inicio que não era nenhuma garotinha, foi apenas uma troca de favores.
-Mas eu quero mais – ele pediu e eu sorri, sempre consigo, sempre.
-Desculpa, você não faz meu tipo – respondi zombeteira.
-Achei que você não tivesse um tipo – ele retrucou no mesmo tom.
-Não sou nenhuma desesperada – mordi o lábio inferior dele pra provoca-lo mais – mas acho que não posso dizer o mesmo de você.
Ele não resistiu e me puxou para um beijo, não desviei dessa vez, sou obrigada a admitir que ele beija muito bem, interrompi o beijo no auge, ele me olhou confuso mas eu não pude continuar, enquanto nos beijávamos eu senti que meu coração sairia pela boca, minhas pernas fraquejaram e eu nunca senti isso antes, lembrei a mim mesma, nada de se apaixonar.
-Tem medo de não resistir, Demetria? – ele provocou.
-Já teve mais do que combinamos – respondi ainda tentando organizar meu raciocínio – adeus.
-Não, não tive nada ainda – ele me puxou de novo, qual é a desse cara, isso já ta me irritando.
-E vai continuar sem – eu disse irritada e tentei me livrar dos braços dele, sem sucesso.
-Tem medo de não dar conta, Demetria? – ele perguntou irônico.
Ok, eu estava insegura, nunca tinha sentido nada como isso antes, mas eu não podia deixar ele pensar que eu era uma garotinha virgem e medrosa, eu sabia que não era assim.
-Vamos ver se você aguenta – sorri de lado e ele me beijou, mais uma vez senti aquelas coisas estranhas mas resolvi não me importar, podia ser atração, físico, sei lá.
Ele deslizou a mão direita até a parte de trás do meu joelho e levantou minha perna, entendi o que ele queria e peguei impulso me prendendo a sua cintura, só me dei conta do que tinha feito quando acordei no dia seguinte em um hotel luxuoso, olhei para o lado e ele dormia como um anjo, revirei os olhos, desde quando sou de pensar essas coisas?
Admito, foi a melhor noite da minha vida, mas foi só uma noite, nunca mais vou vê-lo, ele é uma celebridade e eu? Uma gerente de uma lanchonete capenga de beira de estrada, suspirei, me vesti e peguei minhas coisas sem acordá-lo, haviam vários fotógrafos na porta do hotel, dei graças a Deus por sair bem antes dele, ninguém me notou, peguei um táxi até a casa noturna e de lá fui pra casa com o meu carro.
-Achei que tinha morrido – minha mãe disse ao me ver entrar.
-Não vou te dar esse gostinho – sorri abertamente pra ela.
-Maquiagem borrada, cabelo bagunçado, cara de que não dormiu nada a noite – ela encurvou a boca pra baixo – típico.
-Pois é – caminhei até a cozinha e peguei um iogurte – aprendi com a melhor.
Ela não disse nada, o que poderia dizer? Quando eu era criança trazia homens e mais homens pra dentro de casa e chegava no mesmo estado que eu, ela nunca vai poder me cobrar de nada.
Liguei meu celular e tive que responder as mensagens de Miley, Nick já estava acostumado, nem se preocupava mais, ele sabe que eu me viro bem, mas Miley, fica uma pilha quando eu sumo com um cara qualquer, tomei um banho e fui dormir, e pela primeira vez sonhei com um cara, com o Joseph.

Nenhum comentário:

Postar um comentário